Ação na PGR pede afastamento de Mendonça do TSE por “parcialidade partidária”
Revista Fórum – Ação de Lindbergh Farias pede afastamento cautelar de Mendonça até a diplomação dos eleitos e reúne episódios que, segundo ele, revelam atuação político-partidária do magistrado.
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, protocolou na Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta quarta-feira (16), um pedido de afastamento cautelar do ministro André Mendonça de suas funções no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a acusação de “parcialidade partidária” na condução de episódios com impacto direto sobre a eleição presidencial de 2026.
Mendonça é atualmente vice-presidente do TSE e foi reconduzido em maio para mais um biênio como integrante titular da Corte Eleitoral. Ao lado do presidente Nunes Marques, integra o comando do tribunal responsável pelas eleições deste ano.
Na representação, apresentada nesta quarta-feira (16), Lindbergh pede que Mendonça seja afastado cautelarmente das funções na Justiça Eleitoral durante o processo eleitoral. Como caminho, solicita que o ministro seja declarado suspeito para atuar em processos relacionados à disputa presidencial até a diplomação dos eleitos.
Em vídeo divulgado após protocolar o pedido, o parlamentar elevou o tom.
“André Mendonça tem que sair do TSE. Acabo de protocolar na Procuradoria-Geral da República o pedido de afastamento cautelar por suspeição por parcialidade partidária do ministro André Mendonça”, afirmou.
Lindbergh, que ocupa desde março a vice-liderança do governo na Câmara, sustenta que os episódios reunidos na representação precisam ser observados em conjunto.
“Não podemos ficar parados enquanto esse cara trama um golpe contra a democracia brasileira. Eu argumento em cima de vários pontos”, declarou.
Assista:
FORA, ANDRÉ MENDONÇA!
Lindbergh acionou a PGR para pedir a suspeição e o afastamento cautelar de André Mendonça do TSE. A Justiça Eleitoral não pode servir a interesses partidários nem interferir nas eleições de 2026. https://t.co/X4RXzgeTx0
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) September 16, 2026
“Tentou proteger Flávio Bolsonaro o tempo todo”
No vídeo, Lindbergh relaciona diretamente a atuação de Mendonça à disputa presidencial e acusa o ministro de favorecer Flávio Bolsonaro (PL).
“Ele tentou proteger Flávio Bolsonaro o tempo todo, tentou mudar a cúpula da Polícia Federal no momento que a Polícia Federal estava investigando o filme Dark Horse, no momento que a Polícia Federal estava preparando a operação contra Cezinha de Madureira”, afirmou o deputado.
A representação cita justamente o afastamento da cúpula da Polícia Federal, investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse e as apurações envolvendo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) entre os elementos que, na avaliação de Lindbergh, demonstrariam parcialidade político-partidária.
Cezinha, aliado de Mendonça, foi alvo, no último dia 14, da terceira fase de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de tráfico de influência em tribunais superiores. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino.
Lindbergh destacou, no vídeo, que foi Cezinha quem articulou o encontro ‘secreto’ entre Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
“Seu amigo foi o Cezinha de Madureira que apresentou o Vorcaro a André Mendonça”, afirma no vídeo.
Reportagens revelaram que Cezinha participou da articulação para uma reunião de Mendonça com Vorcaro em 2025. O próprio ministro confirmou ter recebido o banqueiro.
Outro ponto destacado por Lindbergh é a atuação pública de Mendonça às vésperas das manifestações de 7 de Setembro.
“Ele também atuou na mobilização do dia 7 de Setembro, criando fatos políticos para inflar aquela mobilização do Flávio Bolsonaro. Até vídeozinho ele fez”, afirma.
A representação menciona um vídeo gravado por Mendonça e divulgado pela deputada Bia Kicis (PL-DF) pouco antes do 7 de Setembro, episódio incluído pelo parlamentar entre os indícios que, em sua avaliação, apontariam para uma atuação incompatível com a imparcialidade exigida de um integrante da Justiça Eleitoral.
O pedido também questiona o tratamento dado ao sigilo de investigações relacionadas ao Banco Master e a divulgação de informações em momentos considerados politicamente sensíveis pela representação.
Gilmar apontou “inequívoco viés político-eleitoral”
A ofensiva de Lindbergh ocorre dois dias depois de uma das sessões mais tensas da história recente do Supremo Tribunal Federal.
Na terça-feira (15), o ministro Gilmar Mendes acusou Mendonça, durante sessão plenária do STF, de conduzir o caso Master com um “inequívoco viés político-eleitoral”.
“É evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido”, afirmou Gilmar.
O decano questionou, entre outros pontos, a escolha do momento para a divulgação de informações relacionadas a Alexandre de Moraes e criticou o fato de o assunto ter chegado ao plenário em plena campanha eleitoral.
Mendonça reagiu imediatamente e classificou a acusação de Gilmar como “leviana”.
“Não aponte o dedo para mim”, respondeu.
A troca de acusações entre os ministros foi incorporada à representação apresentada por Lindbergh como mais um elemento de seu argumento sobre a atuação do vice-presidente do TSE.
O que diz o Código Eleitoral
A representação invoca o artigo 20 do Código Eleitoral, que estabelece que qualquer interessado pode arguir, perante o Tribunal Superior Eleitoral, a suspeição ou o impedimento de seus integrantes nos casos previstos em lei e também “por motivo de parcialidade partidária”.
É nesse dispositivo que Lindbergh sustenta o pedido encaminhado à Procuradoria-Geral da República, dirigido a Paulo Gonet também em sua função de procurador-geral eleitoral.
O parlamentar encerrou o vídeo pedindo mobilização em torno do afastamento de Mendonça.
“Fora André Mendonça do TSE. Vamos defender a democracia. É hora dos brasileiros, com coragem, levantar a voz. Ele tem que ser afastado imediatamente do TSE”, declarou.
Caberá agora à PGR avaliar a representação e decidir se adota alguma providência a partir dos fatos apresentados pelo deputado. Eventual reconhecimento de suspeição ou impedimento de um integrante do TSE segue o procedimento previsto na legislação e nas normas internas da Justiça Eleitoral.

