24 de setembro de 2026
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Dez dias para reafirmar a democracia brasileira

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Tão perto da eleição do dia 7 de outubro e tão longe da definição real sobre quem será o próximo governador do Maranhão e o futuro presidente do Brasil. As pesquisas que apontam, repetidamente, empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nada dão de diferente das que colocam Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB) quase na mesma posição para o governo maranhense.

Significa que os quatro candidatos vivem os dias mais tensos e determinantes para seus projetos de poder, numa corrida bem distante do pelotão que segue atrás, sem mostrar fôlego para alcançá-los na reta final.

No folclore popular, a bala de prata é famosa por ser a única munição capaz de destruir criaturas sobrenaturais, tipo lobisomens e bruxas. Na política, porém, a metáfora ganha forma com contornos reais de uma bala de chumbo engatilhada para atingir o inimigo.

O presidente Lula quer usar partes de sua fala na ONU para mostrar como pretende ser no novo mandato, enquanto Flávio Bolsonaro já recorreu ao TSE para impedir o adversário de usar o discurso internacional na campanha. Ele, por sua vez, exibe, nos comícios, a foto do pai, Jair, para mostrar aos bolsonaristas quem de fato está ali.

No Maranhão, não há guerra declarada entre os primos-candidatos Orleans e Braide, mas cada um tem seus estrategistas de plantão para agirem no campo adversário e no próprio o mais rápido possível. Os dois buscam a bala de prata que faça os eleitores tirá-los do angustiante empate e decidir o jogo desse revezamento nas pesquisas.

Por enquanto, a polarização entre Braide e Orleans não está conectada ao empate do bolsonarismo com o lulismo. Mas a figura do ex-prefeito de São Luís, bem avaliado, confrontada à tese de Orleans, de anexar a ampla programação do atual governo à dele, não fez nenhum deles “disparar”.

Como as pesquisas passaram a ser quase diárias, por institutos diferentes, é impossível avaliar por que um dia Orleans está na frente e, no outro, é Braide. E ainda aparecem também empates técnicos para chafurdar o jogo.

Como tudo na internet acontece em velocidade alucinante, com tecnologias que se multiplicam a cada segundo, até a Justiça Eleitoral tem tido dificuldade de fiscalizar e agir contra o que é mentira ou fraude envolvendo as campanhas. A inteligência artificial também entrou em cena para tumultuar o pleito e tornar o eleitor desatento refém de profissionais bem pagos para fazer o jogo sujo melar a democracia.

Quantos bilhões de reais estão na campanha? Ninguém tem como responder. A única certeza é que político não rasga dinheiro em busca do mandato eletivo. Eles têm certeza de que investir na eleição é mais vantajoso que aplicar em banco.

No vale-tudo da reta final de chegada, o candidato Flávio Bolsonaro chorou em São Luís ao lembrar a campanha do pai em 2018 no Maranhão, apoiado por Michel Temer no Planalto, mas se esqueceu de que a mais dramática foi a de 2022, quando foi derrotado no governo por Lula e depois tentou dar um golpe de Estado, que resultou em sua prisão.

Restam apenas dez dias para definir o presidente do Brasil, os governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Cada eleitor deve ter em mente pelo menos dez perguntas que gostaria de ver respondidas pelos candidatos.

E o que cada um deles se aproxima das suas ideias sobre as questões mais básicas do cotidiano: democracia, emprego, renda, saúde, educação, meio ambiente, segurança, infraestrutura, economia. Nada de acreditar em soluções mágicas, em salvador da pátria, ser iludido por espertalhões, descartar promessas mirabolantes e olhar friamente na cara de pau daqueles que acreditam que o eleitor é sempre um eguado a ser puxado pelo voto de cabresto.

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