26 de setembro de 2026
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Uma semana para decidir o voto em favor do Brasil

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Não é fácil para o Brasil chegar às eleições do dia 4 debaixo de pressão interna e externa. É algo assustador. O pacote de ameaças dos Estados Unidos contra a soberania e a democracia do maior país da América Latina não tem precedente histórico.

Pior ainda é ocorrer em meio à polarização política entre a esquerda lulista e a extrema-direita bolsonarista. Lula tenta o quarto mandato no Planalto e Flávio Bolsonaro se apresenta como símbolo da imagem do pai, preso por tentar golpear o resultado das eleições, quatro anos atrás. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva tenta prolongar a história de seu legado, o filho de Bolsonaro carrega a foto do pai no palanque como o significado real de sua candidatura.

Se não bastasse tudo isso, o Brasil assiste, assustado, à pior crise no Supremo Tribunal Federal, com vários ministros se digladiando e enrolados em investigações da Polícia Federal como partícipes do maior escândalo de corrupção no sistema bancário brasileiro, centrado na figura de Daniel Vorcaro.

Na imprensa nacional e estrangeira não há outro assunto mais palpitante do que a avalanche que derrete a confiança e o respeito no Poder Judiciário. As eleições do dia 4 já são as mais complicadas da história democrática do Brasil e vão ser concluídas sem que a crise do STF dê sinal de quando nem como vai terminar.

A guerra entre Lula e Flávio se cristalizou ao ponto de não permitir sequer o surgimento de uma terceira via entre os candidatos Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Romeu Zema e Renan Santos, todos do campo da direita e numa campanha de faz de conta. Portanto, Lula e Flávio são favoritos ao segundo turno sem que se saiba qual será o amanhã da nação de 214 milhões de brasileiros.

Até o Partido Democrata dos Estados Unidos teme pela eleição presidencial no nosso país. Cerca de 31 deputados enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, exigindo respostas até 1º de outubro sobre as ações escancaradas dos EUA para interferir nas eleições do Brasil, como fez no golpe militar de 1964.

Em meio ao chafurdo entre direita e esquerda, reacende até a mobilização passada de setores evangélicos, hoje ligados a Flávio Bolsonaro, para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O projeto sobre a polêmica foi apresentado e arquivado em 2007 na Câmara, mas a controvérsia se reacendeu agora.

Flávio negou qualquer relação com ela, mas resgataram nas redes uma fala dele em agosto, de que, se eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Conclusão: na guerra de versões, narrativas e fatos, as eleições mais importantes no país de democracia mais admirada do mundo estão se contorcendo diante de um cenário assustador.

Há uma quase cegueira eleitoral sobre em que o Brasil avançou, onde estagnou ou encolheu. O debate sobre o valor da democracia e a tentativa de golpeá-la há menos de quatro anos já saiu da memória de muitos. O potencial do Brasil para explorar suas riquezas naturais também não é tão urgente na campanha, mesmo perante a perigosa ocupação militar da Venezuela por Donald Trump bem aqui, do outro lado da fronteira, para tomar conta do petróleo.

Falar de soberania é fácil. Trump também diz que sequestrou Maduro para defender os EUA do tráfico de cocaína da Venezuela. Mas os Bolsonaro não veem a interferência americana nas eleições e até a incentivam. Diferentemente, pois, dos 31 deputados do Partido Democrata.

Tão perto das eleições e tão longe de um cenário de reflexão racional de parte do eleitorado sobre o peso do voto para robustecer a democracia. Afinal, é com ela que a sociedade se sente representada e unida para buscar o seu bem-estar coletivo. “Quem tem que governar o Brasil são os brasileiros. A democracia não pode ser ameaçada por autoritarismo golpista.

Sem essa de trocar nossa bandeira por uma estrangeira”, como escreveu em sua rede o bispo Dom Vicente (BA), ao conclamar pelo voto de modo decente “em favor dos necessitados e do meio ambiente”. Omissão nesse momento histórico para o país é atitude covarde.

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