A padroeira no centro da Campanha de presidente
Por Raimundo Borges
O Imparcial – O que importa na corrida do desespero da última semana de campanha não é polêmica entre os candidatos, mas sim que cada eleitor examine como um perito científico o perfil dos candidatos e suas propostas para atender às demandas de toda a população. As pesquisas eleitorais envolvem mais dinheiro do que técnica metodológica para buscar o real interesse do eleitorado.
Faltando tão pouco tempo para a hora do voto, estudos indicam que 10%, a estas alturas, permanecem indecisos e outros 10% só buscam em quem votar no dia da eleição. É essa faixa de retardatários que muitas vezes acaba decidindo a eleição.
Os candidatos estão no auge da tensão de ganhar ou perder o mandato – para muitos deles, uma questão de vida ou morte política. Nessa corrida contra o relógio, vale tanto preservar os eleitores já conquistados quanto chegar aos indecisos sem incorrer em erros de última hora ou se envolver em escândalo. Até mesmo cair em armadilhas montadas nas redes sociais ou no próprio ambiente altamente sensível da campanha.
Antes de qualquer coisa, o eleitor não deve nunca deixar de examinar as propostas concretas e possíveis de serem realizadas. Não esquecer que as eleições são um jogo de interesses não só dos candidatos, mas principalmente de quem financia e de grupos que ganham muito com o voto alheio.
No Maranhão, não há dúvida de que a disputa do governo está acirrada entre Orleans Brandão (MDB) e Eduardo Braide (PSD). No entanto, o TRE-MA suspendeu, total ou parcialmente, seis pesquisas somente nas duas primeiras semanas de setembro sobre a disputa do governo do Maranhão e do Senado.
As ordens judiciais atingiram pesquisas dos institutos AtlasIntel, IPPI, Real Time Big Data, IPSensus e dois pedidos de registro do Veritá. Porém, há evidência de um “boom” de pesquisas eleitorais no Maranhão, que atingiu a marca de 122 levantamentos entre 1º de janeiro e 22 de setembro.
Com poucos dias para decidir o voto, resta ao eleitor ou permanecer no cenário consolidado ao longo dos meses na eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ou fugir da polarização. No caso da disputa do Palácio dos Leões, a situação é a mesma. Se não houver algo explosivo nos poucos dias que restam de campanha, tudo indica que o segundo turno é inevitável.
Apesar de tudo, ainda há tempo para o eleitor buscar informação sobre as propostas dos candidatos registrados na Justiça Eleitoral. Normalmente, elas se resumem nos eixos das áreas de saúde, educação, infraestrutura, transporte, emprego, mobilidade urbana e renda.
A esta altura, há uma multidão de eleitores que não decidiu em quem votar para presidente, governador, senadores e deputados. São aqueles que, em todas as eleições, saem catando santinhos derramados na porta das seções eleitorais durante a madrugada.
Com a audiência insana das redes sociais, grande parte do eleitorado não se dá o trabalho de pesquisar a vida dos candidatos e seus planos de governo ou de ação legislativa. No Maranhão, as pesquisas apontam um eventual segundo turno, mas a campanha de Eduardo Braide trabalha apostando no primeiro turno, hipótese recusada pelo adversário Orleans Brandão.
Em meio à confusão político-religiosa envolvendo católicos e evangélicos dentro da campanha de Flávio Bolsonaro, ele acabou provocando mais tensão. Em evento em São Paulo, domingo, com Tarcísio de Freitas, o senador foi filmado erguendo uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Porém, na Pesquisa BTGPactual/Nexus, divulgada nesta 2ª, 28, Lula cresceu no segmento religioso. Entre católicos, subiu 3 pontos, de 44% para 47%. Entre evangélicos, o salto foi de 5 pontos, de 26% para 31%. Já Flávio Bolsonaro fez o movimento inverso: oscilou de 40% para 39%. E caiu 5 pontos entre evangélicos, passando de 62% para 57% no período. Os dois segmentos juntos representam 80% do eleitorado brasileiro. Eis a questão.

