Quando 10% de votos valem 100% do poder
Por Raimundo Borges
O Imparcial – A campanha eleitoral de 2026 está na reta final, mas o jogo pelo voto não acaba no próximo dia 1º, quando sai do ar o programa eleitoral de rádio e TV, os impulsionamentos pagos na internet e encerram-se os comícios e carreatas. A disputa presidencial ficou tão engessada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) quanto a corrida ao Palácio dos Leões entre Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB).
Como as pesquisas não apontam um favorito real a vencer o 1º turno na eleição federal e na estadual, só mesmo os indecisos, abstencionistas e o voto útil poderiam surpreender na boca de urna e acabar com o suspense de ter ou não ter o segundo turno.
No Maranhão, as últimas pesquisas apontam Braide com chance de vencer o primeiro turno, mas, como a vantagem não é tão significativa e as pesquisas erram mais do que acertam, a recomendação é evitar o “já ganhou”. Em Balsas, o governador Carlos Brandão, no comando da campanha de Orleans, estimou que, se o sobrinho avançar 10%, será eleito no primeiro turno.
Os mesmos 10% de votos, o presidente Lula precisa para conquistar o 4º mandato no Planalto contra Flávio Bolsonaro e marcar um feito histórico na política mundial: vencer, pelo voto popular, o pai e o filho em duas eleições consecutivas.
No futebol, a frase do então presidente do Corinthians Vicente Mateus, de que o “jogo só acaba quando termina”, se encaixa perfeitamente na política brasileira na semana das eleições mais importantes do período democrático. Tanto o Maranhão pode ouvir o apito final no próximo dia 4, com um novo governador eleito, quanto tudo ficará para a prorrogação do dia 25.
A mesma incerteza está deixando o Brasil em alvoroço sobre quem será o futuro ocupante do Palácio do Planalto. As pesquisas retratam o momento da campanha, mas sem função de uma bola de cristal. Porém, têm poder de influenciar o eleitor a mudar de candidato, na estratégia do voto útil, e optar por quem estiver na frente.
A conta das pesquisas nunca bate com a das urnas. Os mesmos 10% que Orleans precisa – no dizer do tio – para se tornar governador no próximo dia 4 são os mesmos que Braide está esperando – ou até menos – para ser o primeiro político na história de São Luís a trocar o gabinete do Palácio La Ravardière pelo do Palácio dos Leões – as duas principais sedes do Poder Executivo do Maranhão, separadas apenas por um muro. Por muito menos de 10%, Flávio Bolsonaro acredita levar o jogo ao segundo turno, enquanto Lula, que está na frente das pesquisas, intensifica a reta final para obter 5% e permanecer no Planalto.
Matematicamente, 10% de votos válidos podem significar o fim de uma jornada eleitoral, mas não de uma carreira política para quem não obtiver o tal percentual mágico neste domingo. Por muito menos, Lula venceu Bolsonaro em 2022, e Brandão ganhou no 1º turno.
Hoje, os rolos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, contaminaram a eleição presidencial, assim como produziram a maior crise da história do Supremo Tribunal Federal, misturada à polêmica envolvendo o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. O impacto desses episódios na campanha do país dividido entre esquerda e direita, evangélicos e católicos, empurra milhões de votos para a conta dos indecisos e incrédulos.
Nossa Senhora Aparecida não é cabo eleitoral, não é candidata de direita ou de esquerda, mas virou alvo da ira de insanos que tiram a “fé” da sacristia e a levam para o palanque na defesa da matéria política para conquistar poder e riqueza.
A campanha está chegando ao fim, mas deixa como legado farto material para debate sobre o Poder Judiciário em todas as instâncias, o choque da inteligência artificial na inteligência humana, o futuro do Brasil e de seu sistema democrático, e como derrotar o crime organizado. Das eleições de domingo ou do dia 25 vão sair as ferramentas para pacificar a sociedade e construir o futuro de convivência sem rupturas. Ou aprofundar ainda mais a crise do presente.

