2 de outubro de 2026
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Eleitor é desafiado a salvar a democracia brasileira

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O Brasil de 158 milhões de eleitores está a 28 horas das eleições mais importantes da história e não encontra uma ideia ou um projeto macro no âmbito nacional ou estadual que empolgue o voto. O que as pesquisas e os cientistas políticos detectam na reta final da campanha é a falta de uma motivação central para o Brasil e o Estado, cujo vácuo alimenta o sentimento de apatia, descrédito nos candidatos e cansaço da polarização.

A ameaça à democracia, como nas eleições de 4 anos atrás, com a tentativa de golpe, está bulindo. Não uniu a nação, nem anima o eleitor. Pode haver até uma abstenção histórica às urnas, principalmente dos 16 milhões de idosos acima dos 70 anos, legalmente desobrigados de votar.

Fatores tecnológicos que desafiam o voto livre, como a inteligência artificial, os algoritmos de recomendação, o impulsionamento irregular de conteúdos e a desinformação têm peso na definição do voto, assim como o debate televisivo. Uma parcela substancial e silenciosa do eleitorado costuma decidir apenas nos instantes finais da campanha.

Na disputa polarizada, como a do Maranhão, entre Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), os debates de TV e entrevistas ao vivo têm enorme poder de influenciar o voto dos indecisos. As pesquisas indicam que mais da metade deles apontam tais formatos de difusão de ideias como fatores positivos de convencimento.

Se os especialistas em marketing político sabem que esses meios são mais importantes na campanha até do que o horário eleitoral, materiais impressos e aplicativos de mensagens, então por que vários candidatos estão fugindo dos debates televisivos, como fez Lula nesta 5ª feira na Globo?

A estratégia dele é vista em fatos reais: em 2006, também faltou ao debate no 1º turno e ganhou no 2º, de Geraldo Alckmin. Agora, a realidade é outra. A polarização apertada com Flávio Bolsonaro, expor-se a três concorrentes da direita (Romeu Zema, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado) seria correr o risco de cair numa armadilha.

No debate da TV Mirante, 3ª feira, a situação era diferente da Globo. Orleans e Braide, que estão em empate técnico no 1º turno, são de centro-direita e apresentaram ao eleitor o que cada um fez no governo estadual e na capital. Orleans se sustentou no amplo programa de obras do governo Brandão, do qual foi secretário de temas municipalistas.

Disse até que o tio Brandão foi “o maior prefeito de São Luís”. Braide se firmou no lema da “transformação de São Luís”, que promete repetir no Maranhão. Na atuação, Orleans surpreendeu pela firmeza e pela defesa das obras do governo. Já Braide se garantiu na gestão municipal que o projetou para todo o Estado, embora sem esconder a imagem de estresse.

Na hipótese de segundo turno no Maranhão e no Brasil, os cenários são inimagináveis. Na eleição estadual, Orleans e Braide terão que sair da bitola habitual do primeiro turno e atrair o eleitorado indeciso e os que votaram no PT de Felipe Camarão, em Roberto Rocha e Saulo Arcangeli, hoje com baixa pontuação nas pesquisas.

Nesse caso, Camarão estará com Lula que, obviamente, virá ao Maranhão se unir a Orleans Brandão contra Braide, que costuma não atrair grupo político em suas campanhas, mas teria Roberto Rocha, um bolsonarista convicto que, no entanto, poderia se juntar a Flávio Bolsonaro.

A eleição brasileira está num momento mais nebuloso do que em 2022. O extremismo decantado entre Lula e Flávio ocorre num ambiente chafurdado no Supremo Tribunal Federal, no TSE, nas redes sociais e na polêmica religiosa de evangélicos contra Santa Aparecida como padroeira do Brasil.

Sem falar na interferência do governo Trump nas eleições, com medidas dissimuladas para beneficiar Flávio Bolsonaro, tema que preocupa até o Congresso Americano. É o jogo pesado que a democracia brasileira de 1988 é desafiada a enfrentar, num dos piores momentos de sua história. Até ministros do STF estão no centro do escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. É o tudo ou nada, mas será tudo.

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