3 de outubro de 2026
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As eleições que marcarão a história do Brasil e do Maranhão também

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Democracia robusta ou retrocesso preocupante estão em jogo no voto de cada eleitor.

Os 158,7 milhões de brasileiros vão às urnas neste domingo com a missão de decidir mais sobre o futuro do maior país latino-americano do que sobre quem vai ocupar o Palácio do Planalto. É, portanto, o momento crucial para o gigante sul-americano avançar como potência democrática mundial ou retroceder. A tentativa de golpe quatro anos atrás continua bulindo nas estruturas de poder, com seus personagens atuando em papéis de protagonistas. Em editorial, o jornal espanhol El País diz que a disputa entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro coloca frente a frente duas visões de mundo opostas. “O pior cenário seria um desfecho que mergulhasse o Brasil de volta ao autoritarismo, em um continente onde a ascensão da extrema-direita, alinhada a Donald Trump, ameaça sabotar o equilíbrio de poder.”

Os dois principais candidatos nas pesquisas terminaram a campanha em empate técnico, com Lula na dianteira, mas num cenário claro de segundo. No Maranhão, também, há equilíbrio entre Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), enquanto as duas vagas de senador seguem com favoritismo indefinido entre Roseana Sarney, André Fufuca, Eliziane Gama e Lahesio Bonfim. No total, o Maranhão tem 572 candidatos aos diferentes mandatos, sendo dois maranhenses à Presidência da República: o professor e rapper Hertz Dias (PSTU) e o doutor em economia Edmilson Costa (PCB).

A história política de 94 anos da Justiça Eleitoral registra 31 eleições presidenciais no Brasil, sendo 23 diretas e oito indiretas. A primeira votação popular ocorreu em 1894, elegendo Prudente de Moraes, num formato de votação retomado com muitas alterações em 1989, com José Sarney na Presidência, eleito indiretamente como vice de Tancredo Neves em 1985. O sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva perdeu naquele pleito, como deputado federal, para o alagoano Fernando Collor de Mello, derrubado por impeachment em 1992. Agora, 37 anos após a primeira derrota, o petista concorre ao quarto mandato no Palácio do Planalto, depois de perder três vezes, em 1989 (para Collor), 1994 e 1998 (para FHC).

Lula e Flávio terminaram a campanha em empate técnico, com o petista na dianteira

Se Lula for reeleito neste mês, a história do Brasil será marcada por fatos impactantes. Ele terá sido eleito diretamente quatro vezes pelo voto popular. É o único caso no mundo democrático. Se o senador Flávio Bolsonaro vencer, também marcará a história do clã familiar, como primeiro presidente filho de um ex-ocupante do mesmo cargo, Jair Bolsonaro, preso por tentar dar golpe de Estado entre 2022/2023 contra a posse de Lula, o qual nunca reconheceu como vencedor. Portanto, a eleição deste domingo é paradoxal em todos os sentidos. O país está ideologicamente dividido entre esquerda e direita e vivendo uma crise institucional jamais vista nos 130 anos do Supremo Tribunal Federal.

Na última entrevista pré-eleitoral ao podcast Flow, do apresentador Igor Rodrigues, 5ª feira, Lula disse que a busca por um quarto mandato visa reconstruir as políticas sociais, reduzir as desigualdades, reparar os danos causados às instituições e propor reforma ao STF. Ele citou o progresso social do governo, o desemprego baixo, o avanço do comércio exterior, do respeito ao Brasil no cenário mundial e o risco da volta do bolsonarismo ao poder. Não é à toa que toda a América Latina e parte do mundo estarão de olho no Brasil. Afinal, a escolha do presidente terá consequências e imensas repercussões muito além de suas fronteiras.

Flávio Bolsonaro se apresenta como uma versão mais moderada do pai, mas sua candidatura é indissociável do projeto político que a família representa. Uma das principais promessas dele é de alinhamento com os Estados e perdoar o pai, Jair Bolsonaro, da condenação de 27 anos de prisão, e os demais punidos pelo golpe do 08 de janeiro. Tal proposta pode agravar a crise institucional do Brasil entre os Poderes.

Os primos Eduardo Braide e Orleans Brandão disputam o governo do Maranhão.

No Maranhão, a disputa pelo Palácio dos Leões pode resultar (ou não) em confronto histórico no segundo turno entre Eduardo Braide (PSD) e o primo Orleans Brandão (MDB). Quem ganhar fará história: Braide como terceiro ex-prefeito da capital a ser governador pelo voto direto. Se for conseguir, será um caso único. Estará no Palácio dos Leões, separado apenas por um muro do Palácio Lá Ravardière (sede da prefeitura), onde despacha a sua vice, Ismênia Miranda, como titular do cargo até 2026, com direito à reeleição.

O primeiro foi Epitácio Cafeteira, primeiro prefeito eleito de São Luís; depois foi Jackson Lago, eleitos três vezes prefeito e governador em 2006. Por sua vez, João Castelo fez o caminho inverso. Foi o último governador indireto (1979-82), indicado pela ditadura, e, em 2012, eleito prefeito da capital. Já Ivar Saldanha foi prefeito de São Luís duas vezes e uma como governador, mas todas as situações sem voto popular. Pedro Neiva também foi prefeito de São Luís na ditadura do Estado Novo, entre 1937-45, e, em 1970, governador biônico do Maranhão, indicado por José Sarney, com o apoio dos generais militares.

A situação do candidato a governador, Orleans Brandão, é completamente diferente. Foi secretário de Assuntos Municipalistas do governo Carlos Brandão, formado em Administração de Empresas e está estreando numa eleição, concorrendo pelo MDB. Com chance de chegar ao segundo turno, fazendo história. É caso único de um sobrinho para suceder o tio Carlos Brandão no Palácio dos Leões, aos 31 anos. Se conseguir, será um feito histórico e tanto.

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