Como será a bancada de oposição ao governo Braide na Assembleia?
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Com a vitória histórica de 2,104 milhões de votos válidos, o governador eleito Eduardo Braide (PSD) vai assumir no dia 1º de janeiro sem qualquer perspectiva de enfrentar uma oposição que, pelo menos, lhe traga alguma preocupação inicial. Ao contrário dos seis anos e três meses de prefeito de São Luís, com as relações azedadas com a Câmara Municipal, onde a bancada governista nunca passou de cinco ou seis elementos em 33 vereadores, na Assembleia Legislativa, no primeiro momento, não aparece ninguém com o perfil de atuação à esquerda ou à direita para embaraçar o governo braidista, considerado de centro.
Embora o PSD do novo governador conte com apenas quatro deputados estaduais e o MDB de Orleans Brandão, 17, dos que se reelegeram são de fácil entendimento com o Palácio dos Leões. O PT, que elegeu Criciele Muniz e Luanna Rezende, pode até querer demarcar posição na Alema, assim como a campeã de votos, Maedja Campos, do PDT, já citada na imprensa nacional como uma das mulheres progressistas do novo mandato eletivo. Porém, como mulher do prefeito Fred Campos, de Paço do Lumiar, vizinho a São Luís, é provável que ele queira manter uma boa relação com o governador.
Outro fator que vai dificultar, no primeiro momento, a formação de bloco de oposição radical ao governo é a renovação de 59,5% na Alema, o que significa uma enorme bancada de novatos que precisam, antes de qualquer coisa, tomar pé das entranhas da política estadual, na qual Braide fez carreira como deputado estadual, federal e prefeito duas vezes, além de secretário de Estado e presidente da Companhia de Saneamento do Maranhão (Caema), no governo José Reinaldo.
O novo governador tem ainda como trunfo para lidar sem complicação com a Assembleia Legislativa a votação recorde de 2,104 milhões de votos, o que significa respaldo popular para cumprir as promessas de campanha, aprovadas pelo eleitorado. Em entrevista à TV Jovem Pan News, ele anunciou que vai fazer um pente-fino nas contas estaduais e pedir à Controladoria-Geral do Estado auditoria sobre o empréstimo de R$ 1,3 bilhão feito ao governo e repassado bem no meio da campanha eleitoral. “Vou querer saber como e onde foi gasto esse dinheiro que pertence ao povo maranhense”, disse. Isso pode encrespar a bancada do MDB, presidido no Maranhão por Orleans Brandão, sobrinho do governador.
Na gestão de Carlos Brandão, depois do rompimento com o grupo remanescente do governo Flávio Dino, dos deputados que realizaram a mais dura oposição ao Palácio dos Leões, nenhum foi eleito. Othelino Neto perdeu a disputa da Câmara Federal, assim como Rodrigo Lago (PCdoB) e Carlos Lula (PSB) também ficaram fora da reeleição na Alema. O deputado estadual Yglésio Moises, que era um dos brigões no plenário contra a oposição, concorreu à Câmara e perdeu, mesmo adotando a postura de bolsonarista.

