8 de outubro de 2026
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Como as castas familiares controlam poder pelo voto

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Espantoso, mas real. Dos 19 candidatos com sobrenome Bolsonaro, seis foram eleitos em vários estados e o último deles, Flávio Bolsonaro, está na frente do segundo turno para o Palácio do Planalto, contra o presidente Lula da Silva.

Por ironia da política, no Maranhão, dominado durante 49 anos pelo sarneísmo, a deputada federal Roseana Sarney, primeira governadora eleita do país em 1992 e mais três vezes, foi a única da família candidata nas eleições. Apesar do enorme grau de prestígio, não conseguiu a cadeira pretendida no Senado Federal, pelo MDB, que elegeu 17 deputados estaduais e cinco federais.

Dos Bolsonaro deu o contrário. Michelle e o enteado Carlos conquistaram vagas no Senado pelo DF e Santa Catarina; Jair Renan e Renato Bolsonaro foram eleitos deputados federais por Santa Catarina e São Paulo; e Fabiana Bolsonaro e Fão do Bolsonaro conseguiram cadeiras nas assembleias legislativas de São Paulo e Paraná.

Já Flávio Bolsonaro (PL) segue na disputa pela Presidência, já prometendo até mudar a Constituição e “redemocratizar o Brasil”. A mãe dele, de Carlos e Eduardo, Rogéria Bolsonaro, ex-mulher de Jair, concorreu a deputada federal pelo Rio de Janeiro, mas não foi eleita. Obviamente, é um caso único na história do Brasil de uma família espalhar mandatários por vários estados, como as lojas do Mateus.

Esse jogo de poder familiar no Maranhão, atualmente, tem origem nos municípios, a exemplo do deputado federal Josimar do Maranhãozinho que, mesmo inelegível, colocou a esposa Detinha e o filho Josimar Júnior na Assembleia Legislativa, e os sobrinhos Fabiana Villar e Aldir Júnior na Câmara dos Deputados.

Josimar Júnior, com apenas 23 anos, pode ser o deputado estadual mais jovem, na eleição de sua estreia, onde ficará ao lado da mãe, Detinha, em final de mandato na Câmara. O curioso é que mãe e filho receberam quase a mesma votação: ela, 83.546 votos, e ele, 83.112.

Também, o prefeito de Arame, Pedro Fernandes, ajudou a eleger os filhos Pedro Lucas, com a maior votação para a Câmara (188.853), e Paulo Cazé, para a Assembleia Legislativa. Já a prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, conseguiu ver o filho Rui Jorge, estreante na política, eleito deputado estadual, e o genro Neto Evangelista (MDB), reeleito para o quinto mandato na casa em que o pai, João Evangelista, foi presidente.

Ele é marido da vereadora de São Luís, Tahy Evangelista. São alguns exemplos que revelam a estratégia de as famílias conquistarem o poder pelo voto descuidado da base municipal. O ex-prefeito de Caxias, Fábio Gentil, reelegeu a esposa Daniella, estadual, e a filha Amanda para a Câmara.

A família Rezende tem forte tradição em Vitorino Freire e adjacências, com vários membros se sucedendo na prefeitura e na Alema. Stênio Rezende é ex-deputado, eleito por vários mandatos consecutivos. Juscelino Rezende também foi deputado estadual e prefeito de Vitorino Freire, como marido da ex-deputada Andrea Rezende, pais do deputado federal Juscelino Filho (ex-ministro das Comunicações do governo Lula), irmão da ex-prefeita Luanna Rezende, eleita deputada estadual pelo PT.

Tudo isso é legal e democrático, mas também é a fonte de poder e de riqueza das famílias políticas que se tornam milionárias nos pequenos municípios, em meio à grandiosa pobreza.

Stênio é marido da deputada Andrea Rezende, cujo filho Túlio Rezende acaba de ser eleito estadual. Assim, os irmãos terão mandatos simultâneos a partir de 2027. Na Assembleia Legislativa, Túlio Rezende segue fortalecendo os laços familiares e o mandonismo em Vitorino, onde trocam de posição dentro do mesmo grupo consanguíneo, há mais de 40 anos.

Assim mesmo acontece em Lago da Pedra, com Maura Jorge, no terceiro mandato de prefeita, depois de ter sido eleita quatro vezes deputada estadual. Chegou a ocupar o cargo de Superintendente da Funasa no governo Bolsonaro e até já disputou o governo do Maranhão em 2018, representando o segmento bolsonarista contra o “comunista” Flávio Dino.

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