
O MDB perdeu o governo, mas tornou-se maior no Maranhão
Por Raimundo Borges
O Imparcial – As eleições de 2026 no Maranhão vão precisar de estudos acadêmicos para entender o que se passou com o MDB nas mãos da família Brandão no comando do Palácio dos Leões, depois de décadas do grupo Sarney mandar na política estadual e nacional.
Só em 1982, na primeira eleição pluripartidária com voto direto para governador, ainda na ditadura militar de 1964, um partido, o PDS, elegeu mais deputados federais e estaduais do que o PMDB este ano. Já se passaram 44 anos desde que o então deputado Luiz Rocha (PDS) foi eleito, com 76,9% dos votos, contra 20,5% de Renato Archer (PMDB). Teve o apoio do governador Ivar Saldanha, presidente da Assembleia Legislativa, que substituiu João Castelo, candidato ao Senado.
O PDS, que substituiu a Arena do Regime Militar, no Maranhão, em 1982, elegeu 14 dos 17 deputados federais e 33 dos 41 estaduais. As outras cadeiras na Alema e na Câmara ficaram com o PMDB, partido de oposição.
As eleições estaduais e municipais foram realizadas no mesmo dia 15 de novembro, depois que o mandato dos prefeitos foi prorrogado por dois anos, por emenda do Governo do general João Batista Figueiredo, que extinguiu a figura do “Senado Biônico” (sem voto). Era a abertura política, “lenta, gradual e segura”, no dizer dos generais de plantão no Palácio do Planalto. No Maranhão, o PDS elegeu 124 prefeitos, o PMDB, 5, e o PT, 1 (Santa Quitéria do Maranhão), do total de 133, na época.
Desde aquela eleição histórica do PDS, o MDB maranhense controlado pelo grupo Sarney nunca elegeu tantos deputados como agora: 17 estaduais e 5 federais. No entanto, perdeu o Palácio dos Leões para Eduardo Braide (PSD) e os dois senadores, André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (bolsonarista do Novo), com Carlos Brandão no cargo.
Portanto, a mistura de partidos e a investidura no poder estadual no Maranhão, em 2026, precisarão de cuidadoso estudo para traçar o perfil da eleição mais complexa das últimas quatro décadas e seus desdobramentos no futuro. Braide derrotou Orleans Brandão, do MDB, enquanto Lahesio, ex-prefeito do diminuto São Pedro dos Crentes, tirou Roseana Sarney da eleição do Senado, apesar da carreira política mais robusta de uma mulher na história do país.
Foi uma eleição dominada por paradoxos. O deputado Duarte Jr. (Avante), com 140 mil votos, foi atropelado para a Câmara pelo quociente eleitoral, enquanto Márcio Jerry (PCdoB) conseguiu a reeleição com 54,9 mil votos. O deputado estadual Yglésio Moisés também ficou fora, com 39 mil votos, apostando errado no bolsonarismo, como Allan Garcês, com 9 mil.
Quem se deu bem foi a estreante em eleição, a jornalista Maedja Campos (PDT), ao sagrar-se campeã de voto na Assembleia Legislativa, com 102,6 mil. Só em Paço do Lumiar, onde o marido Fred Campos é prefeito, ela recebeu 37.819 votos, mais do que Flávio Bolsonaro, com 26 mil.
No Brasil, a legislação partidária vive sofrendo reformas para acomodar partidos que se criam, se fundem, federalizam-se ou trocam de nome. Em 2026, o plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão foi revirado de cabeça para baixo e tornou-se irreconhecível para 2027, com 25 novatos em 42, uma renovação de 59,5%.
Também na Câmara e no Senado as eleições provocaram profundas mudanças. O PL ampliou sua bancada como a maior força parlamentar, enquanto siglas como PSD, União Brasil e PSDB reduziram sua representação, e o Cidadania ficou sem deputado algum para a próxima legislatura.
Na Assembleia Legislativa, os deputados estão em total alvoroço sobre a eleição da mesa diretora em 1º de fevereiro. Já são vários pré-candidatos colocando o nome para presidente, mas o jogo não passará ignorado pelo governador eleito Eduardo Braide. Ele pode até não querer interferir para eleger alguém de sua inteira confiança na presidência, mas também não vai deixar que um eventual opositor se habilite.
Até agora, não dá para saber se o MDB, como maior bancada, vai entrar na briga, ou o PDT de Maedja, como a mais votada, e mais três eleitos: Erlanio Xavier, João Igor Carvalho e Cid Costa. Seja como for, a política do Maranhão, com sua dinâmica e seus ingredientes locais, nunca mais será a mesma.

