15 de outubro de 2026
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O século que o Maranhão está deixando para trás

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Há 100 anos, o Maranhão passava, como agora também, por um período de transição política e econômica marcado pelo isolamento geográfico e transformações na infraestrutura urbana e rural. Era reflexo de um estado que já havia sido grande territorialmente e forte na economia. Até a imprensa viveu o impacto dessa transformação e surgiu O Imparcial, em 1926, com uma proposta ousada de fazer jornalismo de verdade e com equilíbrio.

Hoje, um século depois, o governador eleito Eduardo Braide (PSD) anuncia transformação, cuja proposta fez 2,1 milhões de eleitores acreditarem. O anunciado será ampliar para os 217 municípios as mudanças que empreendeu na cidade de São Luís em cinco anos e três meses.

Naquela época do século passado, o Maranhão refletia a realidade do Brasil da República Velha (1889–1930), fortemente dominado pelo coronelismo e por oligarquias agrárias que, muitas delas, modernizadas e adaptadas à realidade política e social, persistem até hoje.

Economicamente, o estado provincial que havia sido um dos mais ricos do Brasil nos séculos XVIII e XIX, em 1926, já não tinha o mesmo perfil de exportador de arroz e algodão (o “ouro branco”) para atender à Revolução Industrial inglesa e fomentar a indústria têxtil maranhense. E agora, em 2026, o Maranhão tem outra história. O PIB cresceu 3,1% no segundo trimestre, acima das médias do Nordeste e do Brasil, segundo o Imesc.

É esse estado em franca prosperidade econômica, conforme o documento PIB Trimestral Maranhão, do Imesc, que o advogado Eduardo Braide vai governar a partir de janeiro, com a proposta de transformação. Entre os setores analisados, a agropecuária apresentou o maior crescimento, de 9,1% no segundo trimestre de 2026, em relação a 2025.

Bem acima do avanço do Nordeste (2,6%) e do Brasil (2,0%). Tudo favorecido pela produção agrícola da safra de sorgo, algodão, feijão, milho, mandioca, soja, cana-de-açúcar e tomate. Só que o algodão que servia à indústria têxtil maranhense e às exportações para a Inglaterra agora vai para a China e outros mercados da economia globalizada.

Significa que o Maranhão está bem distante do que era há um século, em que a economia colapsou. José Sarney descreve a realidade de quando assumiu o governo em 1965, no artigo “Como Era o Maranhão”, em que cita Marcelino Machado, que dizia: o Maranhão era um “burgo pobre”. A máquina do governo vivia no século XIX. Era a Polícia e a Coletoria.

“Uma para assegurar o comando político, outra para controlar o dinheiro dos impostos e completar o domínio do primeiro”. Como não tinha banco no interior, o coletor trazia todo mês o que arrecadava para São Luís. Nos povoados, o inspetor de quarteirão tinha autoridade para prender e soltar. E também cobrar pedágio pela permanência na prisão.

Já o Maranhão que Braide vai encontrar conta com 397 delegados de polícia na ativa, 11,5 mil policiais militares nos 217 municípios, várias universidades particulares e públicas, um orçamento em tramitação na Assembleia Legislativa no valor de R$ 40,4 bilhões, mais R$ 6,4 bilhões do FNDE e uma folha de 80 mil servidores que consomem R$ 600 milhões mensais.

O novo governador promete enxugar a máquina com fusão, extinção e reorganização da estrutura estadual para maximizar os recursos em suas finalidades definidas no plano de gestão, apresentado durante a campanha eleitoral.

Quando se recua no tempo do Maranhão oligárquico de 1926, depara-se, também, com o ano de sucessão no poder estadual. Saía o governador Godofredo Viana e entrava José Magalhães de Almeida, do Partido Republicano.

Os coronéis mandavam e desmandavam na política velha, de coletoria que contabilizava a arrecadação em cadernos escritos à mão e o transporte do dinheiro para a capital, feito pelo coletor. Tudo isso é registrado nas páginas de O Imparcial, como mais importante jornal do Estado, na época em que não havia rádio e os anúncios públicos eram feitos por alto-falante na praça. Portanto, o Maranhão e Braide serão outra história, movida à digitalização e à Inteligência Artificial aplicada nos seus limites.

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