Campanha do 2º turno chega com força total no Maranhão
Por Raimundo Borges
O Imparcial – A campanha do segundo turno para o Palácio do Planalto, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), vai chegar a São Luís na próxima semana exibindo contornos de tensão total.
O senador do PL marcou sua passagem na capital, no próximo dia 21, usando o modelo classificado como “Bloquinho do 22”, com a concentração na Praça Maria Aragão, seguido de carreata com apoiadores pelas principais avenidas de São Luís. Estará ao lado dos deputados federais reeleitos Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Fernandes (PL-CE), do senador eleito pelo Novo, Lahesio Bonfim, e de outras lideranças da extrema-direita.
Por sua vez, o candidato Lula da Silva, do PT, que não veio no primeiro turno ao Maranhão, tem sua passagem por São Luís marcada para o dia 20, às 10 horas, mas sem o local definido pelos organizadores da campanha (até o meio-dia desta 5ª feira), como Felipe Camarão, Eliziane Gama, Rubens Júnior (deputado federal reeleito), Cricielle Muniz e Luanna Rezende (deputadas estaduais eleitas pelo PT), e lideranças regionais e nacionais, como o senador do Piauí, Wellington Dias, coordenador da campanha no Nordeste.
Segundo pesquisa dos petistas para a escolha do local, via redes sociais, o bairro popular Cidade Operária ganhou disparado de outros pontos da capital.
No X, Felipe Camarão relatou um encontro com Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da campanha nacional de Lula, que já está na capital para organizar a visita. Segundo o vice-governador, Lula quer “andar no meio do povo e conversar com as pessoas”.
Camarão afirmou que a organização busca uma avenida larga, com comércio e circulação de pessoas no horário. “O local quase certo será na Cidade Operária, na grande avenida principal”, indicou ele na postagem. Alguns petistas, porém, acham complicado fazer um grande ato de campanha a pé a partir das 10 horas, em pleno horário de trabalho e sol escaldante.
A campanha dos dois candidatos está na fase mais intensa em todo o país. A do petista chegou a um grau tão elevado de intensidade que até o local de Lula em São Luís é objeto de pesquisa nas redes, na busca de aumentar o percentual de voto do primeiro turno: Lula obteve 63,99% (2.566.301 votos), contra 30,90% (1.239.040 votos) de Flávio no Estado.
Como é uma eleição totalmente diferente em estrutura e participação de outros candidatos, tudo que irá acontecer no dia 25 será surpresa. Até porque nenhum dos dois finalistas conseguiu eleger o governador local. Braide sinaliza que se manterá neutro, enquanto os senadores eleitos estão definidos: André Fufuca com Lula e Lahesio com Flávio.
Nas eleições anteriores, Lula e Dilma Rousseff sempre tiveram ampla maioria eleitoral no Maranhão, apoiados pelos Sarney, Edson Lobão, João Alberto, José Reinaldo e outros do mesmo grupo sarneísta. Não foi diferente com Jackson Lago, em 2006, e com Flávio Dino entre 2014 e 2022, ao lado de Carlos Brandão.
Em 2006, foi uma vitória acachapante no 2º turno da reeleição de Lula, contra Geraldo Alckmin. O petista obteve 84,6% dos votos e o então tucano não passou de 15,3%. Agora, juntos na mesma chapa, Lula diz que não poderia ter um vice-presidente melhor do que Geraldo Alckmin, hoje filiado ao PSB.
Atualmente, as duas principais lideranças políticas do Maranhão são Eduardo Braide, governador a partir de primeiro de janeiro, e Carlos Brandão, que, porém, já entrou na fase de arrumar a transição. Braide prepara a equipe e o plano para comandar o Maranhão, junto com a prefeita Esmênia Miranda à frente da Prefeitura de São Luís, inaugurando uma etapa histórica jamais vista no Estado, com o governador e a prefeita da capital governando juntos.
Sempre estiveram em campos administrativos opostos. Já o PT de Camarão e de Eliziane Gama está a um passo de deixar o governo estadual, com Lula ganhando ou perdendo. Resta a Brandão inaugurar as obras que pode terminar até o fim de dezembro.

