18 de outubro de 2026
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Pelo menos 11 pessoas são presas por suspeita de incêndios criminosos, afirma governador do AM

Cenaruim – O Governo do Amazonas informou que neste domingo, 18, pelo menos, 11 pessoas foram presas por suspeita de envolvimento com incêndios florestais no município de Autazes, na Região Metropolitana de Manaus. A informação foi divulgada durante coletiva de imprensa, pelo governador Roberto Cidade (União) em meio à crise ambiental provocada pelos incêndios florestais que atingem o Estado. As circunstâncias das prisões e a participação individual dos investigados não foram detalhadas.

O número de focos de calor no Amazonas aumentou 416,9% entre os dias 4 e 16 de outubro de 2026, após o primeiro turno das eleições, passando de 354 para 1.830 registros acumulados no mês, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O avanço das queimadas também é investigado sob suspeita de motivação política. A apuração envolve o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Federal, a Polícia Civil e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).   

Com base nas informações de satélites, a situação é especialmente preocupante em Autazes (a 112 quilômetros de Manaus(, um dos municípios mais atingidos pelas queimadas nas últimas semanas. De acordo com dados do Programa Queimadas do Inpe, o município registrou 313 focos entre 13 de setembro e 12 de outubro. A concentração de incêndios na região contribuiu para o agravamento da fumaça que alcançou Manaus e outras cidades da Região Metropolitana.

Reforço na fiscalização

Na coletiva deste domingo, Roberto Cidade destacou a necessidade de ampliar as ações de fiscalização e responsabilização dos envolvidos nos incêndios florestais. O governador também convocou, em caráter de urgência, o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec), responsável pela articulação das medidas estaduais de resposta à crise.

Em declaração divulgada pelo Governo do Amazonas neste domingo, Cidade afirmou: “Quem provocar incêndios criminosos precisa responder com todo o rigor da lei”. O governador acrescentou que a prioridade é proteger a população e impedir o avanço das queimadas. A administração estadual informou que mobilizou mais de mil bombeiros e brigadistas e contratou 153 brigadistas florestais para reforçar as operações.

As 11 prisões anunciadas pelo governador representam um novo desdobramento das investigações. Até o momento, porém, não foi possível confirmar se todos os detidos estão vinculados aos mesmos episódios investigados em Autazes, quais são os enquadramentos criminais e se houve decretação de prisões preventivas ou autuações em flagrante.

Ministro apontou suspeitas

A suspeita de atuação criminosa havia sido levantada pelo ministro João Paulo Capobianco após um sobrevoo realizado no domingo, 11, sobre áreas atingidas pelos incêndios no Amazonas, principalmente no município de Autazes.

Na ocasião, o ministro afirmou que a distribuição dos focos de incêndio em áreas de floresta preservada indicava a possibilidade de ações deliberadas para degradar a vegetação e facilitar o desmatamento posterior. “O que nós vimos ali é uma questão muito grave. Eu diria mais grave do que eu imaginava antes de fazer o sobrevoo”, afirmou Capobianco.

O ministro também destacou a existência de focos no interior de áreas florestais, e não apenas em regiões destinadas à atividade agropecuária. Segundo ele, esse padrão reforça a suspeita de que parte dos incêndios tenha sido provocada intencionalmente, com possíveis interesses relacionados à ocupação irregular de terras.

Capobianco defendeu o reforço das ações de segurança pública, além da atuação das equipes de combate ao fogo. O ministro solicitou a participação da Polícia Militar nas operações de fiscalização e responsabilização dos envolvidos. “É necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região”, declarou o ministro.

Investigações e multas ambientais

Entre janeiro e outubro de 2026, a Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo (Dema) registrou 567 procedimentos e verificações de procedência de informações relacionados a possíveis crimes ambientais. Desse total, 90 tratam de incêndios em florestas ou outras formas de vegetação, 66 de incêndios em geral e 151 de desmatamento.

A Polícia Civil também deverá solicitar ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), com o objetivo de identificar proprietários de imóveis nas áreas atingidas e verificar eventuais responsabilidades.

A Operação Tamoiotatá, desenvolvida pelo governo estadual, contabilizou R$ 235,9 milhões em multas, 504 autos de infração, 296 termos de embargo e mais de 34,8 mil hectares embargados. O balanço divulgado pelo Estado registra ainda duas prisões no âmbito dessa operação, número que não deve ser confundido com as 11 detenções anunciadas neste domingo.

Governo federal amplia combate

A crise ambiental também mobilizou uma operação conjunta entre os governos estadual e federal. Neste fim de semana, o governo federal anunciou o envio de cinco aeronaves adicionais para o Amazonas, elevando para 16 o total previsto na estrutura aérea de combate aos incêndios.

Entre os equipamentos está um segundo avião KC-390, com capacidade de lançar até 19 mil litros de água por operação. O governo federal também anunciou R$ 14 milhões para ações emergenciais e o reforço das operações com participação das Forças Armadas e órgãos de segurança pública.

A dimensão da crise levou o Governo do Amazonas a declarar situação de emergência por 180 dias em 36 municípios atingidos pelos incêndios florestais. A medida foi formalizada pelo Decreto nº 55.751, de 10 de outubro, diante do agravamento das condições climáticas e dos riscos à saúde pública.

Fumaça e consequências

Além dos danos ambientais, os incêndios provocaram uma deterioração da qualidade do ar em Manaus. No sábado, 17, sensores registraram concentrações de partículas finas (MP2,5) entre 44 e 101 microgramas por metro cúbico em diferentes pontos da capital.

A Defesa Civil classificou a qualidade do ar como muito ruim, principalmente nas zonas Centro-Sul, Leste e Sudeste. A fumaça também prejudicou a visibilidade nos aeroportos de Manaus e provocou restrições a atividades ao ar livre. 

O avanço das investigações deverá esclarecer se os incêndios identificados em Autazes fazem parte de ações coordenadas para degradar áreas florestais, conforme a suspeita levantada pelo ministro João Paulo Capobianco.

A identificação dos responsáveis, a comprovação da origem criminosa dos focos e a apuração de possíveis interesses econômicos relacionados ao desmatamento são etapas fundamentais para determinar a extensão dos crimes ambientais investigados no Amazonas.

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