Semana de mobilizar e atrair votos indecisos
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Entre os dois debates do segundo turno (Band e Globo) e a quatro dias da eleição de domingo (25), os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trarão as suas campanhas para o Maranhão. No primeiro confronto televisivo, domingo, 18, na Band, os dois ensaiaram, no primeiro bloco, o pior momento, com ataques, contra-ataques e provocações de Flávio para desestabilizar o petista, o que lhe rendeu mais críticas que apoio.
Já na parte final, quando Lula o desafiou a abrir as contas bancárias, “para mostrar que é ladrão”, e não obteve resposta, foi um dos pontos importantes do encontro. Nesta terça, às 10 h, Lula estará em São Luís, na Praça João Lisboa, centro da capital, e Flávio, no dia 22, em carreata pelos bairros e concentração na Praça Maria Aragão.
Trata-se de um dos momentos mais dramáticos da recente história política local. Em 2022, por exemplo, o petista obteve 68,24% dos votos maranhenses, enquanto este ano esbarrou em 63,99%, uma queda numérica de 37.153 votos. É pouco, mas vale como referência num dos estados de tradição lulista nas urnas.
Traz o peso da divisão aguerrida entre dois campos ideológicos conflitantes, com o avanço da direita bolsonarista no país. Soma-se ainda o fato de o PT haver concorrido ao governo com Felipe Camarão, sem competitividade, contra Eduardo Braide, eleito com folga, e Orleans Brandão, do MDB, que elegeu 17 deputados estaduais e cinco federais. Dois adversários fortes e de centro-direita.
Nas redes sociais, o governador Carlos Brandão (MDB) anunciou apoio à reeleição de Lula, vestido com a camisa da Seleção Brasileira, na estratégia do deputado federal André Janones (MG) para resgatar o símbolo do Brasil apossado pelo bolsonarismo. No Instagram, Brandão escreveu: “Bora, Maranhão! Bora, Brasil! Bora, Lula!”.
A manifestação, porém, não fala se ele vai subir no palanque de Lula na Praça João Lisboa, onde estará o vice-governador Felipe Camarão, seu maior adversário político, mas que, querendo ou não, os dois, eleitos em 2022, encerram os mandatos em 31 de dezembro próximo.
A campanha ao Planalto chegou à última semana num quadro de dramáticos empates nas quatro pesquisas desta segunda-feira. Lula subindo devagarinho e Flávio descendo, ambos sem saber como chegar aos indecisos ou indiferentes. Os debates de TV, horário eleitoral e a interação estratégica entre redes sociais, comícios e corpo a corpo sacodem a campanha, mas nenhuma explosão nas pesquisas.
Nas ruas, Lula levou a melhor com as massas lotando praças pelo país afora, como não se via em décadas no Brasil, para impedir o bolsonarismo de “engolir” a democracia brasileira com o projeto de poder da família Bolsonaro.
No Maranhão, o governador eleito Eduardo Braide (PSD) permanece na mesma neutralidade do primeiro turno. Como ele não precisou de nenhum político nacional, seria temerário, como governador a partir de janeiro, fazer opção precipitada no momento mais dramático da campanha presidencial.
Ele tem razão quando diz que foi eleito por todas as correntes ideológicas, com a marca do centralismo ideológico. Até Flávio Dino, tido como comunista, nas três eleições que venceu, buscou alianças à esquerda e ao centro. “Eu tive votos de todos os lados, então vou manter a coerência de não interferir na escolha do futuro presidente”, declarou Braide.
O governador eleito entende que essa postura lhe permitirá uma relação institucional e pragmática com qualquer presidente da República, “para não prejudicar o Maranhão”. É o jeito de Braide ser político. Enquanto isso, na corrida ao Planalto, não resta dúvida de que a maior preocupação de Lula e Flávio é com a abstenção.
Os eleitores de outras cidades correm o risco de não ir votar por falta de transporte de graça, como ocorreu no dia 4. Em tese, esse eleitor é pobre e não tem carro de passeio, como acontece com os abastados bolsonaristas, que se portam como torcedores ou seguidores de seita que comunga a fé absoluta e odeia Lula.

