O paredão que Lula precisa romper para vencer Flávio
Por Raimundo Borges
O Imparcial – As chances de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virar o jogo de urna no próximo dia 25 são difíceis, mas não uma empreitada impossível. Segundo dados estatísticos, os eleitores de baixa renda e escolaridade representam a maioria do perfil dos indecisos no 2º turno, aponta BTG/Nexus, num universo de 8% do eleitorado.
É esse contingente de 12,6 milhões de votantes que vai decidir o resultado que levará um dos dois candidatos ao Palácio do Planalto no próximo dia 1º de janeiro. Enquanto Flávio Bolsonaro luta para manter a vantagem do 1º turno, Lula busca fazer história numa virada inédita na política brasileira desde o retorno da democracia em 1989, com a Constituição de 1988.
O levantamento do Instituto Futura, divulgado nesta segunda-feira, 19, mostrou empate entre Flávio, 50,4%, e Lula, 49,6%: diferença de 0,8 ponto percentual, dentro da margem de erro de 2,2. Foi um dos institutos que mais se aproximaram do resultado das urnas no primeiro turno, mas outras pesquisas dão até 3% em média de vantagem para o filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.
Flávio terminou o 1º turno à frente, com 47,03% dos votos válidos perante 45,16% de Lula. Ou seja, 2,2 milhões de votos de diferença, a menor desde a redemocratização e também a mais difícil de virar. A taxa de abstenção foi de 21,1% — a maior desde 1998.
No mapeamento dos votos pela geografia do Brasil, nos dois extremos ocorreu votação quase idêntica: em Roraima, Flávio recebeu a maior votação proporcional, 71,06%, e o PL elegeu Arthur Henrique, governador. Por sua vez, Lula foi o mais bem votado no Piauí, com 70,99%, e o PT reelegeu o governador Rafael Fonteles, com 70,99% dos votos.
No mapa geral de 2026, comparado à eleição de 2022 no 1º turno, mostrou que Flávio ampliou a votação de Jair Bolsonaro. Com 56 milhões de votos, o senador teve 5 milhões de votos a mais do que o pai naquele ano em que perdeu para Lula e tentou golpear a democracia.
Lula, por sua vez, teve uma votação menor do que no pleito passado. O petista recebeu 57,3 milhões de votos no primeiro turno de 2022. Agora, foram 53,9 milhões, 3,4 milhões a menos. Para virar o jogo, a chance está em apresentar ao eleitor, em três dias, temas que dialoguem com o futuro.
O voto é predominantemente uma porta para o futuro. Lula terá de tentar desconstruir a imagem de Flávio. Seus estrategistas reconhecem que o petista subestimou a capacidade de o bolsonarismo se organizar e agir. Resta-lhe, pois, repercutir algo novo, exemplo de abrir a conta bancária “para provar quem é ladrão”, como disse na Band.
Só nos últimos 10 ou 15 dias é que Lula começou a fazer propostas para o futuro, com a MP das Bets, escala 6×1, o reajuste do Bolsa Família, antecipar o pagamento e a quitação das dívidas dos MEI. Para o analista do Nexus Jornal, Emersin Cervi, é possível Lula virar esse jogo, “desde que o PT faça adequações urgentes no discurso e nas propostas.
No debate na Globo, nesta 6ª feira, Lula já deve estar reinventado e fechar, por exemplo, no tema da corrupção”. Em São Luís, nesta terça, ele mostrou a força popular e política. Lotou a Praça do Carmo como nunca se viu antes naquele espaço com cara de abandono. De quebra, juntou Carlos Brandão e Felipe Camarão no palanque e ainda visitou o ex-presidente e amigo José Sarney.
Para uma virada, não se trata apenas dos 2,2 milhões de votos de diferença agora, mas de obter uma consciência eleitoral coletiva sobre a importância da eleição de domingo para o Brasil e a democracia.
Basta que os 33 milhões de brasileiros que não compareceram ao primeiro turno marquem presença, junto com 6 milhões que votaram em branco ou anularam o voto. No 1º turno, o PL verticalizou o voto casado, de presidente a deputado estadual. Como agora é um contra um, são outros valores que o eleitor vai levar para a urna, no voto mais qualificado da história e para o futuro do Brasil, ‘arrodeado’ de países dominados pela extrema-direita.

