Veja tudo sobre a implosão da principal ponte de acesso a SL
Por Raimundo Borges
Ao custo de R$ 176,7 milhões, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) vai implodir, neste domingo, 01/11, a Ponte Marcelino Machado, no Estreito dos Mosquitos, de um complexo de três vias que dão acesso terrestre pela BR-135 e Ferrovia da Vale, entre o litoral maranhense e a Ilha Upaon-Açu, sede de quatro municípios, dentre eles a cidade de São Luís, capital do Estado. O valor refere-se ao total do contrato emergencial para demolir e construir outra ponte no local, enquanto o tráfego passará a ser feito por uma ponte paralela ao lado da que vinha apresentando ondulações e perigo estrutural.
Os R$ 176,7 milhões cobrem de forma integrada os estudos, os projetos, a implosão da antiga Ponte Marcelino Machado e a construção da nova, sob responsabilidade do Consórcio Ponte Estreito Maranhão. A BR-135 será totalmente interditada neste domingo, das 10h às 16h, para permitir a implosão, ficando como única opção a travessia para São Luís pelo ferryboat na Baía de São Marcos, entre os terminais da Ponta da Espera (em São Luís) e o do Cujupe (em Alcântara/Baixada Maranhense). Quem decidir fazer essa opção terá que enfrentar um alongamento de 350 km saindo da BR-135.

Segundo o DNIT, os bloqueios ocorrerão no km 40, em Bacabeira, no sentido São Luís, e no km 22, na saída da capital. A interdição de seis horas será necessária para garantir a segurança durante a operação de demolição. O DNIT tem orientado os motoristas a planejarem seus deslocamentos com antecedência. A implosão levanta dúvidas sobre a manutenção por parte da autarquia federal na Obra de Arte Especial, de 66 anos, que já havia tido problemas estruturais em 2004 e 2016; as empresas contratadas para reconstruir são as mesmas que fizeram a nova Ponte Juscelino Kubitschek, entre MA e TO, no Rio Tocantins, que desabou em 22 de dezembro de 2024, e outra foi construída em um ano.
A operação deste domingo no Estreito dos Mosquitos será coordenada pela Defesa Civil municipal. Há 20 anos, a ponte já apresentava problemas. Construída em 1960, a obra ficou parada por anos, até ser feita uma vistoria pelo então ministro dos Transportes, Márcio Andreazza, quando, finalmente, foi liberada. Porém, sofreu danos graves em 2004, quando precisou passar por intervenções estruturais. Em 2016, novas inspeções identificaram problemas e alertaram para riscos à segurança.
Apesar dos reparos realizados ao longo dos anos, a situação voltou a se agravar. Em abril de 2026, o DNIT interditou a estrutura. Segundo o Ministério dos Transportes (MT), as inspeções identificaram corrosão, fissuras acentuadas, oxidação das armaduras, deslocamento de bloco de concreto e perda de rigidez estrutural. Diante desse quadro, o governo decidiu demolir a ponte e construir outra.
A demolição poderia ser evitada?
O histórico da ponte levanta questionamentos sobre a eficiência da manutenção realizada pelo DNIT. Afinal, depois dos problemas registrados em 2004 e dos novos alertas em 2016, não seria possível prolongar a vida útil da estrutura com intervenções preventivas e reforços adequados?
Embora o envelhecimento e as limitações do projeto original possam justificar a substituição, somente a análise dos laudos técnicos e do histórico de manutenção permitiria determinar se a demolição poderia ter sido evitada. Segundo reportagem do site estradas.com.br, o DNIT sustenta que a ponte, projetada para padrões de carregamento da década de 1960, já havia cumprido sua vida útil de projeto. O que é possível, principalmente porque não existe de fato controle de peso nas rodovias e a tolerância para sobrepeso aumentou para atender aos interesses dos embarcadores e transportadores.
A reconstrução da Ponte Marcelino Machado foi contratada emergencialmente por R$ 176,7 milhões, com previsão de conclusão em 2027, mas sem data específica. O serviço será executado pelo Consórcio Ponte Estreito Maranhão, formado pela Construtora A. Gaspar S/A e pela Arteleste Construções Ltda.
Mesmo consórcio da Ponte JK
São as mesmas empresas contratadas pelo DNIT, também emergencialmente, para reconstruir a Ponte Juscelino Kubitschek, na BR-226, entre Maranhão e Tocantins, que desabou em dezembro de 2024, provocando 17 mortes. Em janeiro de 2025, o Estradas.com.br revelou que ambas haviam sido desclassificadas de uma licitação para construir a Ponte de Guaratuba, no Paraná, em 2022, por não atenderem às exigências de qualificação técnica daquele certame.
Na ocasião, o DNIT informou ao Estradas que a contratação emergencial para a BR-226 havia seguido os procedimentos legais e que as empresas atenderam aos requisitos exigidos para aquela obra.
Ainda segundo o Estradas, em fevereiro de 2026, a Controladoria-Geral da União (CGU) encontrou indícios de sobrepreço milionário na reconstrução da Ponte JK, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA). Auditoria identifica irregularidades graves em contrato do DNIT para reconstrução da ponte que desabou na BR-226/TO/MA. Em setembro deste ano, o Ministério Público Federal, em parecer do relator Alexandre Camanho de Assis, determinou o arquivamento do caso.
Tráfego continuará pela ponte paralela. Após a implosão, os veículos continuarão utilizando a segunda ponte do complexo, que opera em mão dupla desde a interdição da estrutura antiga. O DNIT informa que a ponte em funcionamento recebeu melhorias e permanece sob monitoramento. Os motoristas devem programar suas viagens para evitar o horário de interdição e acompanhar eventuais mudanças pelos canais oficiais do DNIT e da Polícia Rodoviária Federal.

