
PDT perde espaço e entra em federação para não sucumbir
Por Raimundo Borges
O Imparcial – O único partido que elegeu, pelo voto direto, três vezes Jackson Lago e uma vez Tadeu Palácio prefeito de São Luís, o PDT está enfrentando, em 2026, um revés de urna pouco visto em sua história, iniciada em 1979, em Portugal, ainda no trabalhismo de Getúlio Vargas e João Goulart, e legalizada em 1980, na reforma partidária do Brasil.
Este ano, o único senador que o partido elegeu no Maranhão, Weverton Rocha, perdeu a reeleição. O PDT só elegeu Erlânio Xavier para a Câmara dos Deputados e três deputados estaduais: Maedja Campos (campeã de votos), João Igor Carvalho e Cid Costa.
Com apenas seis deputados federais na Câmara, nesta sexta-feira, 06/11, a Executiva Nacional do PDT, comandada por Carlos Lupi, aprovou o ingresso do partido em uma federação que inclui o Solidariedade, o PRD e o Avante. As quatro legendas somam 18 deputados, um senador, 58 deputados estaduais, 427 prefeitos e 6.693 vereadores no país.
Com isso, a federação passa a reunir o número necessário de votos e de cadeiras na Câmara para cumprir a cláusula de desempenho, ficando apta a preservar o pleno recebimento dos fundos Partidário e Eleitoral e outras regalias previstas na legislação do TSE. Entre todos os deputados federais do PDT, Erlânio foi o mais votado, com 127.715 votos, em sua primeira eleição de âmbito federal.
No Maranhão, o PDT elegeu Jackson Lago três vezes prefeito de São Luís e uma vez governador, em 2006. Em abril de 2002, ele renunciou ao mandato para disputar o governo do Estado e ficou em segundo lugar, atrás de José Reinaldo Tavares.
Ironicamente, rompido com o Grupo Sarney, Reinaldo resolveu apoiar o ex-adversário Jackson contra Roseana em 2006, que, porém, teve seu mandato cassado em 2009. Quando deixou a prefeitura, Jackson passou o mandato ao vice, o médico Tadeu Palácio, também do PDT, reeleito em 2004, derrotando o ex-governador João Castelo.
Em 2018, apoiado pelo governador Flávio Dino, com o PDT coligado ao PCdoB, Weverton Rocha foi eleito senador junto com a então deputada federal Eliziane Gama (PPS). Este ano, os dois ficaram de fora do Senado, diante da eleição avassaladora do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, eleito governador, com os senadores André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo).
Nessa mesma eleição, o resultado mais surpreendente se deu no MDB do Maranhão, presidido pelo candidato Orleans Brandão, que perdeu o Palácio dos Leões no 1º turno, mas elegeu nada menos que cinco deputados federais e 17 estaduais — contra um federal e dois estaduais na eleição de 2022.
A história do PDT é fascinante. Em 1980, a disputa pela sigla e pelo registro no TSE ocorreu sob a liderança de Leonel Brizola, ao tentar reavivar o antigo PTB. Porém, perdeu o registro do nome histórico para Ivete Vargas, filha de Getúlio Vargas.
Revoltado com a derrota, Brizola fundou oficialmente o partido com o nome de PDT, em 26 de maio de 1980. No Maranhão, Brizola tinha como principal herdeiro ideológico o médico Jackson Lago, que fez história política atuando no espectro de centro-esquerda à esquerda, tendo como pilares o trabalhismo, associado ao “socialismo moreno”, formulado por Darcy Ribeiro.
Agora, com a principal figura do pedetismo fora do Congresso Nacional a partir de 2027, Weverton Rocha terá que reinventar um caminho novo, sem tergiversação, se não quiser ver o PDT virar nanico, perder sua história e sua relevância no Estado. Em 2022, o senador disputou o governo contra Carlos Brandão e ficou em 3º lugar, atrás de Lahesio Bonfim.
Este ano, ele apoiou Lula na campanha presidencial, assim como também fez Eliziane Gama, já filiada ao PT desde abril, levada pelo próprio presidente Lula. Os dois têm caminhos políticos parecidos, mas, a partir de janeiro, a história abriu uma imensa janela de oportunidade para Eduardo Braide, do PSD, liderar a política do Maranhão. Também, pela primeira vez, haverá o governador ao lado da prefeita da capital, Esmênia Miranda.
