15 de janeiro de 2026
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Vazamento? O sumiço de carros de luxo horas antes de operação contra o PCC

DCM – A Polícia Civil de São Paulo investiga o sumiço de dezenas de veículos de luxo registrados em nome de empresas e de um suspeito ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), retirados de seus endereços horas antes da Operação Falso Mercúrio, realizada em 4 de dezembro. O desaparecimento ocorreu apesar de decisão judicial que bloqueava 257 automóveis e motocicletas, impedindo qualquer transferência. Entre os itens não localizados estão quatro Porsches, quatro Mercedes, três BMWs, um Jaguar e uma Ferrari F430, avaliados juntos em mais de R$ 1,2 milhão.

Documentos enviados à Justiça, e obtidos pela Folha de S.Paulo, mostram que as equipes esperavam encontrar parte significativa dessa frota nas lojas do grupo Key Car, em Osasco, e na casa de seu proprietário, Alessandro Rogério Momi Braga, em Barueri. Porém, “as lojas estavam praticamente vazias, com pouquíssimos automóveis”, segundo relatório policial. Dos 67 veículos ligados a Braga e a quatro empresas associadas, apenas um Honda Civic 2021 foi encontrado.

O esvaziamento dos endereços coincidiu com a fuga de suspeitos que deveriam ser presos na mesma operação. Mandados contra investigados por tráfico de drogas, exploração de jogos de azar, fraude, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica não foram cumpridos porque nenhum deles estava nos locais cadastrados.

A análise policial indica que ao menos quatro suspeitos deixaram suas casas entre 1º e 3 de dezembro, incluindo Braga e seu sócio oculto, Manoel Sérgio Sanches. Ambos só se apresentaram ao Deic na noite de 5 de dezembro, mais de 24 horas após a ação.

A investigação aponta que as empresas do grupo eram usadas para receber dinheiro em espécie proveniente de máquinas de caça-níqueis e repassá-lo a empresas de fachada e coletores do crime organizado, que devolviam os valores aparentemente “lavados”. O uso de carros de luxo também era oferecido como serviço: suspeitos podiam utilizar os veículos mediante pagamento, sem formalização de transferência, ocultando a origem do patrimônio, segundo a polícia.

Na semana passada, a 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores decretou a prisão preventiva de sete alvos da Falso Mercúrio. Seis deles já eram investigados desde a fase anterior da operação.

Carro da marca McLaren oferecido por suspeito de lavagem de dinheiro do PCC a outro investigado. Foto: reprodução

Um novo nome foi incluído: Alexandre Ferreira de Moraes, conhecido como Rita, identificado após a apreensão de dois celulares, pen-drive e duas armas registradas em seu nome. Com antecedentes por tráfico e roubo a banco, ele é apontado como liderança do PCC na região de Osasco, responsável por coordenar ordens operacionais e disciplinares da facção.

A apreensão dos celulares revelou documentos internos do PCC, incluindo uma ficha de “desfiliação” de um faccionado e o chamado “Punição dos 90”, formulário usado para registrar nome, vulgo, idade, data de batismo, motivo da punição e padrinho. Os materiais indicam procedimentos hierárquicos estruturados e códigos para tramitação interna de sanções.

A polícia afirma haver elementos suficientes para indiciar nove suspeitos, entre eles sócios da Key Car classificados como intermediários do esquema e integrantes do núcleo de coleta de valores ligados ao tráfico e aos jogos de azar.

Dois investigados identificados como “beneficiários finais” não foram indiciados nesta fase, mas a apuração aponta indícios de lavagem envolvendo ambos. Levantamento mostra que empresas desses dois suspeitos firmaram contratos com prefeituras paulistas que somam ao menos R$ 522 milhões nos últimos quatro anos.

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