28 de fevereiro de 2026
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Confusão direita-esquerda fará o cabresto do centro dominar voto

Por Raimundo Borges

O ImparcialO Maranhão voltou, esta semana, ao centro do espectro político-ideológico, com a revoada de nove deputados do PSB, de centro-esquerda até o fim de 2025, sob o comando do governador Carlos Brandão, para o MDB, de centro-direita, historicamente controlado pelo grupo Sarney e hoje nas mãos do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão. O desmanche do PSB maranhense, que inflou o MDB, atingiu até o coração do PSDB, partido de centro-esquerda que busca conciliar o capitalismo por meios democráticos, em vez de partir para revoluções. O choque no ninho tucano fez o presidente estadual Sebastião Madeira se mudar para o MDB e entregá-lo ao ex-senador Roberto Rocha, bolsonarista convicto.

O próximo a seguir a debandada parlamentar, que quadruplicou a bancada do MDB na Alema, de dois para 10 deputados, será o governador Carlos Brandão que, obviamente, não irá sozinho. A sua matemática partidária soma-se à matemática eleitoral, cujo resultado está sendo contabilizado com a eleição, caso Orleans Brandão venha a sucedê-lo no Palácio dos Leões em 1º de janeiro de 2027. Porém, no mesmo pleito pode haver o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), de perfil enigmático, focado em um governismo desagrupado, sem personalismo de direita ou de esquerda. Ele reveza na liderança das pesquisas com Orleans. Tal postura de Braide facilita o diálogo com outros segmentos ideológicos.

O fato curioso é que o mesmo PSD, que só elegeu Braide no Maranhão, fez 887 prefeitos em 2024 no Brasil, sob a presidência do habilidoso Gilberto Kassab. Por sua vez, o MDB, que reforçou sua bancada estadual na Alema, inclusive com a presidente Iracema Vale, tem o segundo maior número de prefeitos no país, com 856. No Maranhão, também ficou em segundo lugar em 2024, com 37 prefeituras, inclusive a de Bacabal, com Roberto Costa, hoje presidente da Federação dos Municípios. São números e posições que remetem o perfil do eleitorado maranhense ao mesmo do período de Flávio Dino, eleito três vezes por robustas coligações, sem o carimbo de esquerda ou de direita, mesmo sendo do PCdoB.

O PT do Maranhão não é diferente do restante do Nordeste, onde o presidente Lula tem conseguido obter as maiores votações. Sua principal liderança hoje no estado é o vice-governador Felipe Camarão, um procurador federal sem histórico na esquerda, assim como o governador Carlos Brandão, que se elegeu no PSB em 2022 sem atuação no campo esquerdista. Seu governo é herança da mistura deixada por Flávio Dino, com quatro secretarias do PT estadual e centenas de cargos de confiança. Logo, conclui-se que, onde o eleitor imaginar votar para governador, terá de se guiar pelo pragmatismo de resultado.

Seja de que lado for, o eleitor que observa o cenário político das eleições majoritárias vai encontrar a predominância do centro-direita. PCdoB, PT e PV estão na mesma Federação da Esperança desde 2022. A menor corrente do PT apoia Felipe Camarão, que se diz candidato a governador, mas depende da decisão final de Lula, que vai levar em conta o peso da votação presidencial no estado. O PCdoB faz oposição aos Brandão, enquanto o PV, também de centro, é dirigido pelo ex-deputado Adriano Sarney, atual presidente da Agência Estadual de Mobilidade Urbana. Portanto, o eleitor sabe que todo esse parangolé partidário tem raiz nas oligarquias de centro-direita que se sucedem no estado sem precisar de ideologia.

Enquanto o Brasil está politicamente polarizado entre a direita bolsonarista e a esquerda lulista, o que vai decidir o próximo presidente da República e o futuro governador do Maranhão é o centro-direita. Orleans Brandão é de uma família de centro-direita pragmática, como é o MDB; Felipe Camarão é do PT de centro-esquerda; Lahesio Bonfim (Novo) hoje é de direita; e Eduardo Braide (PSD), de centro-direita. No passado, Tancredo Neves, um pessedista de alta estirpe, já dizia: “Entre a Bíblia e o Capital, o PSD fica com o Diário Oficial.”

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