14 de março de 2026
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Orleans dá largada na corrida aos Leões e Braide só assiste

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A partir deste sábado, 14/03, a pré-campanha para o governo do Maranhão ganha um ritmo mais acelerado com o lançamento da candidatura do emedebista Orleans Brandão. É o primeiro ato concreto da disputa, que se mantém embaraçosa nos demais campos políticos, principalmente no grupo que faz oposição ao governo Carlos Brandão, que pode anunciar, no mesmo evento, a sua filiação ao MDB. O partido quer reunir dezenas de parlamentares, prefeitos, lideranças municipais e simpatizantes mobilizados em todos os recantos do Estado, com previsão de 30 mil pessoas no Multicenter Sebrae.

Esse evento tem três significados: 1) a candidatura de Orleans é irreversível; 2) o governador Carlos Brandão vai ficar no Palácio dos Leões até o fim do mandato; e 3) mostrar para o distinto público maranhense que, apesar de ser estreante na política, Orleans tem uma base eleitoral consolidada em todo o Estado e independe do apoio do PT. Na outra faixa política, o grupo de oposição na Assembleia Legislativa, liderado pelo deputado Othelino Neto, resolveu jogar unido nas bases eleitorais, mas vive a indecisão do prefeito Eduardo Braide sobre a disputa pelo governo e não sabe para onde vai Felipe Camarão (PT).

Seja como for, no campo contrário a Orleans não há espaço para duas candidaturas viáveis ao Palácio dos Leões. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, quer porque quer colocar Eduardo Braide no jogo estadual. Mas ele não demonstra nenhuma pressa em bater o martelo e partir para o confronto. Como um político que tem mostrado um jeito particular de tomar decisões sem consultar o entorno, adota a estratégia da indiferença às pressões do partido ou do grupo que, no entanto, espera uma decisão. Daí a explicação para a demora em anunciar o seu futuro em 2026, com tão pouco tempo pela frente para deixar a prefeitura para a vice Ismênia Miranda — até 3 de abril — ou permanecer no mandato inteiro.

Para o PT apoiar Braide, terá que debandar das quatro secretarias que ocupa no governo Carlos Brandão. Mesmo assim, tudo será decidido pela direção nacional, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, se a decisão for entrar na composição do MDB de Orleans, na prática estará despachando Camarão do PT. Fazendo isso, a confusão estará formada na eleição presidencial no Estado. Lula pode nem arriscar vir ao Maranhão, e Orleans também ficará sem um candidato ao Planalto em seu palanque. O senador Flávio Bolsonaro, do PL, pode reforçar o palanque de Lahesio Bonfim, que anda distanciado da corrida, embora prometa participar na tentativa de puxar o bolsonarismo para sua plateia.

Até o momento, Orleans aparece muito forte. Da mesma forma que, se Felipe Camarão e Eduardo Braide entrarem na disputa pelo Palácio dos Leões, o representante do MDB será o maior beneficiado. Primeiro por ser de centro-direita, jovem e contar com a camaradagem da máquina de fazer votos operando a seu favor. Também porque Braide é um nome admirado pelas correntes que se identificam com Orleans. A diferença está na estrutura político-partidária entre os dois. Orleans quer colocar onze partidos em sua festa de lançamento, com comitivas deslocadas de dezenas de municípios. Já o prefeito Braide tem a força agregada à sua pessoa, ao governo que realiza e ao jeito de fazer política de forma desagrupada.

Além de ser o único prefeito do PSD maranhense, Braide enfrenta a desarmonia da Câmara de Vereadores de São Luís, onde atua uma maioria esmagadora nada cordial com o Executivo. Ademais, sobram enormes ajustes nos cargos majoritários tanto do lado de Orleans quanto do PT, do PSD de Braide e do Novo de Lahesio Bonfim. No Maranhão, o partido que mais elegeu prefeito foi o PL, de Josimar do Maranhãozinho (40), que ninguém sabe com quem vai; seguido do MDB de Orleans (38); do PP de André Fufuca (30); do União Brasil de Pedro Lucas (26); do PSB de Ana Paula Alves (19); e do PDT de Weverton Rocha (18). Resta saber como estão esses prefeitos e seus parlamentares perante o eleitorado em outubro.

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