14 de abril de 2026
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Relatório da CPI do Crime mira STF e pede impeachment de três ministros e do PGR

Revista Fórum – Parecer encerra comissão esvaziada por decisões judiciais e consolida o foco investigativo nas operações do caso Master.

A CPI do Crime Organizado encerra seus trabalhos no Senado nesta terça-feira (14) com um relatório final que formaliza o pedido de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, elaborado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), também estende o pedido de afastamento ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O parecer marca o último ato de uma comissão que foi instalada para apurar a atuação de facções criminosas pelo país, mas que sofreu uma drástica mudança de rota. Na reta final, a CPI concentrou todo o seu foco investigativo e poder de convocação no escândalo financeiro envolvendo o Banco Master.
O parecer marca o último ato de uma comissão que foi instalada para apurar a atuação de facções criminosas pelo país, mas que sofreu uma drástica mudança de rota. Na reta final, a CPI concentrou todo o seu foco investigativo e poder de convocação no escândalo financeiro envolvendo o Banco Master.

O avanço sobre o Banco Master

A virada nas investigações ocorreu após o colegiado aprovar uma série de medidas sobre o fluxo financeiro do banco e suas ligações com agentes públicos. A comissão avançou ao aprovar a convocação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de chefes de Executivo estaduais e a quebra de sigilo do advogado Fabiano Zettel.

A ofensiva parlamentar subiu de tom semanas depois, quando a CPI aprovou a quebra de sigilo da empresa Maridt e convocações inéditas que incluíam Toffoli, Moraes, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Para fechar o cerco sobre os operadores financeiros, os senadores também puxaram para o centro da apuração o empresário Francisco Emerson Maximiano, pivô da antiga CPI da Covid.

Os dados colhidos por meio de quebras de sigilo renderam à comissão acesso a documentos fiscais sensíveis. O material incluiu registros de pagamentos feitos a um ex-chefe de regulação do Banco Central, atuante durante a gestão de Campos Neto, e uma extensa lista de figuras públicas e estruturas financiadas pelas operações de Vorcaro.

Liminares e esvaziamento

O pedido de impeachment coroa um período de confronto aberto entre o Senado e o STF. Diversas frentes de investigação que construturam o relatório final foram paralisadas por liminares de ministros da Corte, esvaziando a capacidade de produção de provas do colegiado.

O ministro André Mendonça proferiu decisões que dispensaram os irmãos de Dias Toffoli de prestarem depoimento e que blindaram o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. O impacto das decisões judiciais no andamento da CPI também abriu brecha para que Campos Neto cancelasse seu comparecimento às vésperas do encerramento dos trabalhos.

Em outra frente direta de conflito, o ministro Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilo bancário e fiscal imposta pela CPI à empresa da família do ministro Dias Toffoli, limitando o cruzamento de dados proposto pelo relator.

O caminho político do relatório

O documento de Alessandro Vieira acusa os magistrados e Paulo Gonet de crimes de responsabilidade e de suposta blindagem institucional frente às investigações do Senado no caso Master.

Apesar de o texto elevar a temperatura em Brasília, uma eventual aprovação do parecer no âmbito da comissão não garante a abertura automática de processos. A legislação e o regimento interno determinam que o andamento de qualquer denúncia ou pedido de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal é prerrogativa exclusiva da Presidência do Senado.

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