Petróleo dispara; gasolina e diesel vão custar caro a longo prazo
Revista Fórum – Analistas não enxergam queda a médio prazo.
O petróleo dispara: o barril de Brent bateu no equivalente a 570 reais nesta quarta-feira, 29, com a falta de acordo entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
O preço do Brent é o de referência internacional.
O valor do West Texas Intermediate, petróleo leve em que se baseiam contratos na América do Norte, disparou mais de 3%, batendo em mais de U$ 103.
O preço médio do galão de gasolina nos EUA chegou a U$ 4,229, ou seja, R$ 5,55 o litro, um preço altíssimo para os padrões locais. Na Califórnia, chegou a R$ 7,86.
Segundo as últimas informações, o Irã propôs aos EUA a reabertura completa do estreito de Ormuz, desde que as negociações sobre a questão nuclear sejam adiadas. Donald Trump não aceitou a proposta e retomou ameaças.
Gasolina cara no longo prazo
Analistas do setor energético afirmam que, mesmo se houver acordo, o preço do gás e da gasolina vai se manter em alta.
Argumentam que a confiança de países e transportadores na livre navegação pelo estreito de Ormuz se quebrou, assim como já aconteceu no canal de Suez.
Em 2024 e 2025, os houthis do Iêmen fecharam temporariamente o estreito de Bab-el-Mandeb, entrada do mar Vermelho que leva a Suez.
Até hoje, a navegação pelo canal não voltou ao que era no passado, mesmo com descontos de até 15% nas taxas de trânsito. Em janeiro deste ano, a queda se mantinha em 60%.
De acordo com analistas, os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã vão provocar uma mudança no tráfego internacional do petróleo, com oleodutos e gasodutos regionais que ofereçam previsibilidade.
Os EUA criaram insegurança já em janeiro de 2026, quando fizeram a primeira apreensão de um petroleiro ligado à Venezuela.
Enquanto persistir o clima de incerteza, é pouco provável uma queda nos preços de energia.
A Europa, que depende de gás, diesel e gasolina importados do Golfo Pérsico, é a que mais vai sofrer.
A Rússia, por enquanto, é a grande vencedora.

