30 de abril de 2026
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Mesmo desarrumada, pré-campanha majoritária segue firme no Maranhão

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Não é novidade, mas também nunca é tarde lembrar que a eleição de governador é idêntica à de presidente da República e à de prefeito municipal. Para ocupar o principal cargo no Executivo dos entes federativos, entra em cena a regra do sistema majoritário: para ser eleito, é preciso alcançar a maioria absoluta, ou seja, acima de 50% dos votos válidos. Quando isso não ocorre, há segundo turno entre os dois mais votados. No caso dos municípios, esse dispositivo só vale para cidades com mais de 200 mil eleitores, como São Luís e Imperatriz, que, em 2024, conseguiu superar a marca histórica, graças à mobilização da Justiça Eleitoral e das organizações políticas e sociais.

Dentro da lógica do sistema majoritário, os quatro pré-candidatos a governador do Maranhão em outubro estão em intensa movimentação de bastidores, negociações partidárias e acordos de alianças. Como nada é fácil numa eleição de governador e de senadores, apenas o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (MDB), indicou a empresária de Imperatriz, Elaine Carneiro, como vice de sua chapa. E nada ao Senado. Só recentemente ela se filiou ao PSD. Especulou-se que a esposa do prefeito Rildo Amaral seria vice de Orleans, assim como também poderia ser a mulher do deputado estadual Antônio Pereira (MDB). No entanto, nenhuma delas foi confirmada pelo emedebista.

Orleans foi aconselhado a abandonar a ideia de lançar vice de Imperatriz, uma das regiões em que pontua mais alto nas pesquisas e onde conta ainda com o apoio de suas principais lideranças. A possibilidade seria um nome de São Luís com potencial eleitoral capaz de tirar parte do favoritismo de Eduardo Braide, onde ele é mais forte. O próprio Orleans já declarou não ter pressa para a indicação do(a) vice. Dessa forma, a eleição majoritária no Maranhão permanece com muito barulho e pouca certeza sobre os candidatos a vice e ao Senado Federal. Orleans é o único que já trabalha sua pré-campanha ao lado do senador Weverton Rocha (PDT) e do ex-ministro dos Esportes, André Fufuca (PP).

O município de Imperatriz, hoje como segundo maior reduto eleitoral do Maranhão, já deu alguns nomes como candidatos a vice-governador desde a primeira eleição direta, em 1982, quando o emedebista Renato Archer (PMDB) concorreu contra Luiz Rocha (PDS), tendo na vice o então advogado Aureliano Neto (hoje juiz de direito aposentado do TJMA). Aureliano era presidente da OAB local e do mesmo partido de Archer, que ficou com 20,5% dos votos, contra 76,9% de Luiz Rocha. Em 1990, Edison Lobão venceu o governo com o vice de Imperatriz, Ribamar Fiquene (juiz aposentado), que assumiu o governo por nove meses.

Naquela mesma eleição, a então deputada Conceição Andrade (PSB) concorreu aos Leões tendo na vice o empresário de Imperatriz Neudson Claudino (PT), da família bilionária dona do Armazém Paraíba. A coligação recebeu 18% dos votos, com os partidos de esquerda. Em 2006, foi a vez de Jackson Lago (PDT), filho de Bacabal, vencer a eleição contra Roseana Sarney, com o vice de Imperatriz, Pastor Luís Porto. Na história recente do Maranhão, Imperatriz sempre mereceu a atenção dos políticos, principalmente na época da corrida pelo voto. No contexto social, porém, a região tem um histórico de queixas, a ponto de abrir uma campanha quase vitoriosa para criar o Estado do Maranhão do Sul.

Enquanto Orleans Brandão já definiu Weverton e Fufuca para o Senado, Lahesio Bonfim (Novo) terá como candidato o ex-senador Roberto Rocha, que pontua bem nas pesquisas, numa situação, no mínimo, curiosa: Lahesio não anda com Rocha e não fala em seu nome, enquanto Rocha percorre o interior sem Lahesio e sem citá-lo como candidato a governador. Os dois são bolsonaristas de extrema direita. Já Enilton Rodrigues (PSOL) ainda não conseguiu compor a chapa com o vice e os candidatos a senador. É o contrário do PT, que não confirma Felipe Camarão como candidato a governador e já lançou a senadora Eliziane Gama à reeleição, com o apoio e incentivo do presidente Lula.

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