“Lula quer impedir Trump de interferir nas eleições”, diz jornalista dos EUA sobre reunião
DCM – A visita do presidente Lula (PT) à Casa Branca para um encontro com Donald Trump, marcada para quinta-feira (7), é vista por analistas como uma tentativa do governo brasileiro de preservar a relação com os Estados Unidos e evitar que Washington interfira no cenário eleitoral de outubro. A avaliação é do jornalista estadunidense Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly, dos Estados Unidos.
Segundo Winter, os objetivos do Brasil na reunião são “principalmente defensivos”. Para ele, Lula tenta impedir que Trump se torne um fator de influência na eleição brasileira ou atue em favor da família Bolsonaro, em um momento em que a relação bilateral vinha melhorando desde setembro. A visita foi confirmada por fontes do governo brasileiro, com viagem prevista para quarta-feira (6) e reunião na quinta.
“Suspeito que os objetivos do Brasil sejam principalmente defensivos. Impedir Trump de ser um fator na eleição de outubro, de interferir em favor dos Bolsonaros. Manter a relação EUA-Brasil positiva, como tem sido desde setembro, apesar de vozes dentro do governo Trump pressionarem por um retorno a uma abordagem belicosa”, escreveu Winter no X.
A pauta econômica também deve ocupar espaço central. O principal interesse da Casa Branca, segundo o jornalista, está nas terras raras.
O Brasil tem grandes reservas desses minerais, considerados estratégicos para setores como tecnologia, defesa, energia limpa e indústria de ponta. A agenda do encontro deve incluir tarifas, crime organizado e minerais críticos, de acordo com informações divulgadas sobre a reunião.
“O principal objetivo da Casa Branca são as terras raras — o Brasil tem as segundas maiores reservas do mundo, atrás da China —, mas falta capital e conhecimento técnico para explorá-las. O governo Lula parece aberto ao investimento dos EUA, mas não quer que nenhum país tenha monopólio e também quer agregar valor na cadeia produtiva, não ser apenas uma colônia extrativista”, afirmou o jornalista.
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* I suspect Brazil’s goals are primarily DEFENSIVE. Prevent Trump from being a factor in October’s election, from interfering on the Bolsonaros’ behalf. Keep US-Brazil relationship positive, as it has been since September, despite…
— Brian Winter (@BrazilBrian) May 5, 2026
As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros também devem entrar na conversa. Lula já havia pedido a Trump a retirada de sobretaxas sobre importações do Brasil em contato anterior, após um período de tensão comercial entre os dois países.
Outro ponto sensível será o crime organizado. A gestão Trump avalia medidas contra facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, incluindo a possibilidade de classificá-las como organizações terroristas estrangeiras. A hipótese preocupa autoridades brasileiras por seus efeitos jurídicos, econômicos e diplomáticos.
“Tarifas e crime organizado também estão na agenda. O Brasil tem um plano para combater o PCC e outras máfias, mas será suficiente para evitar uma designação terrorista, como Trump aplicou a outros cartéis? Eu não sei. Área vulnerável para o Brasil”, escreveu Winter.
O encontro também tem componente imprevisível. Para Winter, a reunião tende a transcorrer bem, mas pode se complicar se Lula insistir em posições brasileiras sobre Irã ou Venezuela, temas nos quais há divergências com Washington.
“Esta é, como sempre com Trump, uma reunião imprevisível. Foi organizada rapidamente e em um momento estranho. Provavelmente vai correr bem, mas há cerca de 10% de chance de virar um Zelensky 2, especialmente se Lula insistir na posição do Brasil sobre Irã ou Venezuela. Vai ser interessante acompanhar”, avaliou.

