Nos 100 anos, O Imparcial é Patrimônio Imaterial do MA
Por Raimundo Borges
O Imparcial – No Brasil, existem milhões de empresas registradas, mas apenas pouco mais de 200, algo como 0,02%, chegam a 100 anos funcionando. Quando se busca informações sobre empresas de jornais com essa longevidade, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) constata que, em dezembro de 2025, havia apenas 13 centenários que, inclusive, foram homenageados. Como os jornais impressos foram significativamente atingidos pelas tecnologias digitais e, depois, pela pandemia, para os que alcançam 100 anos de circulação ininterrupta, como O Imparcial, é mais do que louvável a iniciativa de reconhecê-lo como Patrimônio Imaterial e Cultural do Maranhão pelo Poder Legislativo.
O jornal com o perfil de independência e imparcialidade sobre o que produz para a sociedade torna-se, acima de tudo, guardião da história, plataforma da democracia e defensor das causas da sociedade. O Imparcial rompeu essa barreira histórica de um século por difundir, com responsabilidade jornalística e respeito ao leitor, informação apurada, cultura indiscriminada e responder corajosamente às demandas da população, com liberdade e sem medo. Não é à toa que o jornal, fundado no Dia do Trabalhador pelo empresário João Pires Ferreira, adotou o nome de O Imparcial.
O projeto da deputada Iracema Vale, que torna o jornal dos Diários Associados Patrimônio Imaterial e Cultural do Maranhão, tem o significado de colocá-lo no merecido lugar na história da imprensa. Desde as primeiras edições, naquele longínquo 1926, quando a população de São Luís era de apenas 50 mil habitantes, dos quais 24 mil eram analfabetos, a linha é a mesma. Daí o significado da ousadia de colocar um jornal em circulação com a marca da imparcialidade. Afinal, os jornais impressos de então eram os únicos meios de comunicação e usados, portanto, como instrumento de ação política por governistas e oposicionistas.
J. Pires, como ficou conhecido, criou uma empresa jornalística que certamente não imaginou chegar tão longe. Hoje, já dentro do segundo centenário, O Imparcial permanece no papel e nas plataformas da internet, com o portal online alcançando uma média de seis milhões de acessos mensais. Tudo isso graças à qualidade do jornalismo transportado das páginas em papel para o meio digital, acrescido da produção própria de sua equipe dedicada. Como escola de jornalismo, o jornal tem convênio com a Universidade Federal do Maranhão e com os cursos de faculdades particulares para oferecer treinamento e estágio curricular na redação. Essa é a nossa missão, reconhecida pela Assembleia Legislativa.
Na história desse século que O Imparcial acaba de percorrer, nunca faltaram coragem para seguir em frente, liberdade para dizer a verdade e talento para atrair leitores de todas as faixas sociais e ideologias políticas. Pela sua redação passaram nomes como José Sarney, onde teve o primeiro emprego e chegou à Presidência da República, e Ferreira Gullar, o maior poeta do século 20 do Brasil. Ele começou no jornal aos 16 anos e Sarney, aos 20. Por coincidência, eles tinham o mesmo nome de batismo: José Ribamar Ferreira de Araújo Costa (Sarney) e José Ribamar Ferreira (Gullar). Ambos escreveram dezenas de livros de poesias, romances, crônicas e roteiros de filmes.
Também marcaram pontos na história de O Imparcial Dreyfus Azoubel (primeiro repórter fotográfico) e José Louzeiro, introdutor do gênero romance-reportagem, transformado em filmes de sucesso. Outros nomes, como José Pires de Saboia, Adirson Vasconcelos, Arthur Almada Lima, Raimundo Melo, Maria Inês Saboya, Genu Moraes, Luiz Pedro, Haroldo Saboia, Pedro Freire, Oliveira Ramos, José Rocha Gomes (Gojoba) e este jornalista Raimundo Borges, que há 55 anos faz do jornalismo sua trincheira de luta. Tantos outros políticos, juristas e profissionais de diferentes atividades recebam os sinceros agradecimentos da atual direção de O Imparcial, na pessoa de Célio Sérgio, diretor-executivo.


