16 de julho de 2026
DestaquesGeral

Copa do Mundo com 64 seleções: Fifa não descarta nova mudança para 2030

Revista Fórum – Enquanto Infantino e Conmebol sonham com expansão para 2030, presidentes da Uefa e de outras confederações detonam proposta por risco de jogos desequilibrados.

A Copa do Mundo de 2026, que termina neste fim de semana nos Estados Unidos, foi a primeira a reunir 48 seleções. Mas Gianni Infantino já pensa no que vem depois e pode haver um novo aumento no número de participantes.

Segundo o The Athletic, uma expansão para a Copa de 2030 não foi descartada pelo presidente da Fifa, que afirmou ao portal suíço Bluewin que o tema “será examinado e discutido nos comitês relevantes após este Mundial”.

A Copa de 2030 marcará um século desde a primeira edição do torneio e será cossediada por Espanha, Marrocos e Portugal, com três partidas inaugurais realizadas na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, uma forma de homenagear o centenário do Mundial de 1930. É justamente a Conmebol que lidera o movimento pela expansão.

O presidente da confederação sul-americana, Alejandro Domínguez, chegou a se reunir com Infantino na Trump Tower, em Nova York, para discutir o que ele classifica como seu “sonho”. A motivação é mais que transparente. Com o formato atual, cada um dos três países sul-americanos que sediará jogos em 2030 receberá apenas uma partida. Já uma Copa de 64 equipes abriria espaço para que cada nação anfitriã recebesse uma chave inteira, com seis jogos.

O argumento da Fifa e o “caos”

Embora a Conmebol seja a principal defensora do novo inchaço da competição, a Fifa também parece gostar da ideia mesmo sem o lobby sul-americano. 

“Ao organizar uma Copa do Mundo, é importante organizá-la para o mundo todo – não apenas para a Europa e a América do Sul – mas efetivamente para o mundo inteiro”, declarou Infantino.. “Se você não der aos países menores a chance de participar da Copa do Mundo, eles não terão incentivo para continuar melhorando.”

O torneio deste ano foi tratado por dirigentes da Fifa como uma prova de que o aumento no número de participantes não resultou em diminuição do nível técnico, já que estreantes como Cabo Verde contiveram Espanha e Argentina nos 90 minutos regulamentares.

Mas a ideia encontra resistência do presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, que chamou a proposta de “má ideia”. “Não é bom para o Mundial em si e também não é bom para as nossas eliminatórias”, disse ele. 

O presidente da Confederação Asiática de Futebol questiona onde a expansão terminaria. “Alguém poderia vir exigir 132 equipes. Viraria um caos”, disse em conferência da AFC em 2025. O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, foi na mesma linha: “Não parece certo.”

Risco de jogos esvaziados

Os críticos apontam um risco real de mais jogos significarem mais confrontos desequilibrados. Neste Mundial, Haiti, Iraque, Panamá, Uzbequistão e Jordânia perderam todos os jogos da fase de grupos. Uma Copa de 64 equipes envolveria 128 partidas, o dobro do Catar 2022, e poderia saturar o calendário com goleadas que esvaziam o espetáculo.

A decisão final caberia ao conselho da Fifa, composto por 37 membros. Por ora, não há votação prevista, apenas a promessa de debate.

No The Guardian, Billy Munday cogitou a possibilidade e resumiu o “espírito da Fifa”, provocando ainda a seleção italiana, ausente há três edições do Mundial. “No mundo da Fifa, mais é mais. Quando Infantino diz que devemos organizar uma Copa do Mundo para ‘o mundo todo’, isso poderia ser o lançamento discreto de uma Copa do Mundo verdadeiramente global para, digamos, 2034, com a participação de todas as 211 nações membros e a anfitriã Arábia Saudita, que está reduzindo seus investimentos em esporte, se perguntando em que enrascada se meteu. Pelo menos, então, a Itália teria sua chance novamente.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *