30 de julho de 2026
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O Estreito dos Mosquitos é um Estreito de Ormuz tupiniquim?

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A ponte que separa a Ilha Upaon-Açu do continente sobre um braço de mar chamado Estreito dos Mosquitos vai ser dinamitada pelo DNIT antes que desabe e provoque uma tragédia anunciada. Para a capital maranhense, em particular, e para o Maranhão, na conjuntura econômica, obviamente, guardadas as devidas disparidades, a ponte batizada de Marcelino Machado é tão importante quanto o Estreito de Ormuz para o transporte mundial de petróleo e outras riquezas. São dois canais de mar sem parâmetros em termos mundiais, mas o dos Mosquitos, na divisão da ilha, tem tudo a ver com a economia do Maranhão, a do sistema portuário e suas exportações para muito além do Oceano Atlântico.

Enquanto o mundo assiste, apavorado, ao desfecho da guerra Irã versus Estados Unidos e se desespera por não saber qual dos dois países em guerra realmente controla o Estreito de Ormuz, o Maranhão quer saber por quanto tempo vai ter sua única ligação rodoviária por terra entre São Luís e Bacabeira parcialmente interrompida no Estreito dos Mosquitos. Aquele braço de mar que rasga a terra na parte sul da ilha Upaon-Açu e liga a Baía de São Marcos (oeste) à Baía de São José (leste) é fundamental para movimentar a economia de São Luís. Afinal, é uma área dominada por três santos que não podem, jamais, ser culpados por uma eventual tragédia.

Pelo Estreito de Ormuz, que o Irã controla com minas navais e do qual Donald Trump quer tomar posse, passam petroleiros que movimentam a geopolítica mundial. Pelo Estreito dos Mosquitos trafegam 13 mil carros por dia, entre automóveis de passeio, carretas de grãos e ônibus, além da ponte férrea pela qual cruzam 60 composições por dia de trens da Vale, transportando minério de ferro e grãos para os portos do Itaqui e da Ponta da Madeira. Há ainda o trem de passageiros entre São Luís e Parauapebas, no Pará. Sem as pontes nos Mosquitos, o Maranhão seria um estado muito distante do atual grau de desenvolvimento.

A Ponte Marcelino Machado, na BR-135, foi inaugurada em 1970, com apenas 456 metros de extensão, mas estratégica para a economia. O que parecia ser a solução definitiva para a ligação ferroviária entre a ilha da capital, o interior e o restante do Brasil acabou em frustração. A ponte passou anos como um elefante branco, ameaçada de desabar. Foi preciso o então ministro dos Transportes, Mário Andreazza, atravessá-la de carro e provar que a obra era segura. Após os 56 anos daquela prova de risco, a Marcelino Machado passou por inúmeros reparos, mas nenhum retirou as perigosas ondulações e rampas de seu leito.

Agora, com rachaduras expostas nas cabeceiras e lombadas na parte central, o DNIT teme uma tragédia, a exemplo da ocorrida no desabamento cinematográfico da Ponte Juscelino Kubitschek, sobre o Rio Tocantins, entre Imperatriz e Aguiarnópolis, com 14 mortos e alguns desaparecidos, em 2024. Desta vez, a Marcelino Machado encontra-se totalmente interditada, e o tráfego é controlado pelo sistema “pare e siga” na outra ponte paralela, que funcionava apenas no sentido São Luís-litoral e agora tem mão dupla. É um transtorno de longo prazo, mas, infelizmente, necessário.

Enquanto isso, o Campo de Perizes permanece à espera da prometida e aprovada Zona de Processamento de Exportação (ZPE). É a área do Maranhão mais cogitada, desde o início deste século XXI, para projetos industriais na região metropolitana de São Luís, jamais implantados. Geograficamente, do outro lado do Estreito dos Mosquitos, Perizes ganhará mais relevância quando houver uma ponte que sustente o peso do desenvolvimento prometido na ZPE, que precisa tanto da ponte rodoviária quanto o sistema portuário de São Luís precisa receber carga processada em Bacabeira, considerada o caminho da nova industrialização do Maranhão.

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