30 de agosto de 2026
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Evolução tecnológica do horário eleitoral até à IA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Em 1962, quando surgiu o horário eleitoral no rádio, garantido pela Lei nº 4.115, promulgada pelo presidente João Goulart, o rádio FM só existia no Rio de Janeiro e em Manaus. O país era dominado pelo modo AM, e a TV colorida só apareceu 10 anos depois, em 1972.

Foi na abertura da Festa da Uva, em Caxias do Sul, com transmissão pela Rede Globo, gerada pela TV Difusora de Porto Alegre, com narração de Cid Moreira, exibida para a cidade em telões públicos. Hoje, o mundo é outro, e o Brasil daqueles “Setenta Milhões em Ação” chega a 2026 com 215 milhões de pessoas e 158 milhões de eleitores.

Durante esse período de profunda transformação política no Brasil e nas tecnologias de rádio e TV, o sistema eleitoral também se aprimorou. A evolução dos partidos e todo o processo eleitoral mudaram para melhor, desde a velha urna de saco até a urna eletrônica, em 1996.

Hoje, a urna carrega uma tecnologia inédita no mundo, sem ligação com nenhum dispositivo de internet, portanto imune a invasão, fraude ou outro tipo de ação criminosa. Somente em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro questionou a inviolabilidade da urna eletrônica, pela qual ele e seus filhos participaram de várias eleições, sem levantar suspeita de fraude, somente quando perdeu e tentou dar um golpe de Estado.

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, que completa 64 anos, começou nesta sexta-feira, dez dias após o início oficial das campanhas. A pergunta que o eleitor sempre faz é: o horário eleitoral faz alguém mudar o voto ou o indeciso sair do muro?

Em um cenário dominado pelo crescimento das redes sociais, pela chegada da inteligência artificial e pela indiferença aos comícios tradicionais, a permanência da radiodifusão e da televisão é frequentemente questionada. Ainda assim, o horário eleitoral segue como elemento de peso considerável na agenda pública, interferindo no voto, na atração do eleitor indeciso e na organização das alianças partidárias.

Matéria do site Jota, especializado na área jurídica, constata um aparente paradoxo no comportamento do eleitorado brasileiro. É comum que parte considerável dos entrevistados afirme, em pesquisas de opinião, não pretender acompanhar os programas diários.

Ao mesmo tempo, os cientistas políticos Felipe Borba e Steven Dutt-Ross, em estudo na revista Opinião Pública, do Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp, analisaram uma série de pesquisas de intenção de voto referentes às eleições presidenciais de 2006, 2010, 2014 e 2018. Delas extraíram importantes informações que balizam o voto.

Os pesquisadores constataram que a busca dos eleitores pelo horário eleitoral cresceu em 2018, na comparação com as três eleições anteriores, e que assistir à propaganda eleitoral naquele ano contribuiu decisivamente para o nível de conhecimento dos candidatos. Tais dados reforçam a importância do horário eleitoral para a democracia brasileira.

Também o tempo de TV e rádio é um triunfo para os candidatos pelo poder de influenciar o voto, mesmo descontado o tempo que as pessoas dividem entre as telas do celular, do computador e da TV, cada vez mais distantes do interesse eleitoral, comparado a tempos não tão distantes.

A tecnologia da IA na campanha, no entanto, ainda tem importância relativa, pelo acesso limitado ao grande público dos grotões brasileiros que decidem uma eleição. Elas pesam pelo poder de falsear fatos, mudar panorama, robotizar mentiras, sequência de ataques e xingamentos nas redes.

Para enfrentar a situação, em 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou um conjunto de resoluções que representam um marco histórico não apenas para a democracia brasileira, mas também para todo o ecossistema de tecnologia e mídia digital. Com isso, a Justiça tenta fechar o cerco aos abusos cometidos em torno da eleição.

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