30 de agosto de 2026
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Flávio Bolsonaro diz que ‘não há nada de errado’ na relação com Vorcaro e afirma que Eduardo errou no tarifaço

Os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli conduzem nesta semana entrevistas da Globo com os candidatos à Presidência da República, direto dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.

O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, concedeu nesta sexta-feira (28) entrevista à Globo. Conduziram o programa os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.

Veja os principais destaques da entrevista com Flávio Bolsonaro:

Caso Master e dinheiro de Vorcaro para filme

Flávio Bolsonaro afirmou que não há “absolutamente nada de errado” em ter buscado o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, para bancar um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro.

O candidato voltou a dizer que pediu a Vorcaro um patrocínio privado para o filme “Dark Horse”, que não recebeu repasses diretamente e que não houve contrapartidas envolvidas no pedido.

“Não tem absolutamente nada de irregular nesse filme”, disse. “Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Em maio, o site “The Intercept Brasil” revelou mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro cobra dinheiro de Vorcaro, acusado de fraudes bilionárias, para a produção de “Dark Horse”. Segundo a reportagem, Vorcaro repassou R$ 61 milhões para financiar a produção. Esses pagamentos são investigados pela Polícia Federal, em inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF apura se esses recursos foram usados para pagar contas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos, e se houve desvio de emendas parlamentares para financiar o filme.

Questionado sobre a natureza da relação com Vorcaro, a quem enviou uma mensagem dizendo “estarei sempre contigo”, Flávio Bolsonaro respondeu:

“A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada”.

“Eu não queria que essa obra de arte fosse perdida, né? Era um sonho que tava se realizando ali. Foi uma forma de garantir que esse filme acontecesse”, afirmou.

Flávio Bolsonaro foi perguntado sobre por que não apresentou publicamente o contrato com Vorcaro, a planilha detalhada de gastos, a lista de investidores e quanto cada um colocou no projeto.

Ele afirmou que o dinheiro do ex-banqueiro preso foi integralmente usado na produção e que a produtora responsável apresentou uma prestação de contas antes do prazo de 30 dias estabelecido por ele.

“Eu falei: ‘Quero, em 30 dias, que a produtora apresente uma prestação de contas’. E, antes desse prazo, a prestação de contas foi feita, inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civil de São Paulo”, disse.

Uma reportagem publicada pelo g1 em junho informou que a defesa da empresária Karina da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, anexou ao inquérito que investiga a produção do filme, conduzido pela Polícia Civil de São Paulo, o relatório de uma perícia contratada por ela mesma, no qual aponta gastos de R$ 75 milhões.

No entanto, a perícia não apresentou nenhum recibo ou nota fiscal dos gastos, tampouco da origem do dinheiro recebido para produzir o filme.

O perito contratado pela produtora afirmou que não teve acesso ao fundo americano que recebeu recursos de Vorcaro e não apresentou notas fiscais, comprovantes de transferências, nomes de financiadores nem o caminho percorrido pelos R$ 75 milhões.

Questionado sobre a ausência dessas informações, Flávio afirmou que o filme “não tem um centavo de dinheiro público” e que a produção custou mais do que o valor obtido por meio do patrocínio.

O candidato não tornou públicas as planilhas de custos nem o contrato do filme, apesar de ter sido questionado diversas vezes sobre esses documentos.

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