4 de setembro de 2026
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Operações matemáticas que não batem no jogo eleitoral

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Falta um mês para as eleições, período de enlouquecer os políticos, partidos e coligações, todos tentando fórmulas matemáticas que transformem ansiedade em voto e voto em vitória. Tudo na campanha é calculado, somado, subtraído, multiplicado e dividido.

Esta operação é a mais temida nos momentos cruciais, como agora, quando algum fator interfere na vontade dos eleitores e divide votações sem olhar de quem. Ou, ao contrário, pode fazer multiplicar as despesas em determinados redutos já dominados por quem chegou primeiro. Nesses casos, entra a lei selvagem do mais forte, agindo com dinheiro ou com proposta.

No Maranhão, por exemplo, o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dividido entre Orleans Brandão (MDB) e o petista Felipe Camarão. Os prefeitos municipais também se dividem, olhando, logicamente, os cenários pós-eleição. Com quem vão lidar a partir de 2027 no Palácio dos Leões?

O mesmo Lula e o PT, divididos entre dois palanques, não perdem de vista o sentido inverso dessa realidade político-administrativa. Assim como o PT lulista está no centro da divisão, Lahesio Bonfim (Novo) e Roberto Rocha (PRTB) dividiram o bolsonarismo entre dois palanques: o de Eduardo Braide e o do próprio Rocha.

Todos sabem que as quatro operações matemáticas funcionam na política como ferramentas estratégicas para gerir o poder, os recursos e as alianças sociais. Mas poucos sabem operá-las dentro das regras políticas. A adição soma forças ao juntar aliados e formatar as coalizões partidárias.

Representa também a união de propostas e ideias para fortalecer um projeto comum de poder. Na subtração, seu uso visa reduzir o que atrapalha na campanha ou ainda enfraquecer e diminuir potenciais de voto de opositores. Já na multiplicação, o objetivo é expandir ações nas redes sociais, na campanha de rua e no voto indeciso.

No mais, a matemática está presente nos cálculos de gastos, no preço de um voto, no quociente eleitoral e na distribuição da dinheirama do Fundo Especial de Campanha e nos números das pesquisas eleitorais. Há informações de que o candidato Eduardo Braide teria recebido R$ 7,5 milhões do PSD; Felipe Camarão, R$ 3,5 milhões do PT; e Orleans só declarou R$ 100 mil que arrecadou de doações individuais.

Não consta o repasse do MDB que, certamente, já deve tê-lo feito. Vale destacar que todo dinheiro recebido do Fundo de Campanha ou de doações privadas tem limite definido pela Justiça Eleitoral, em torno de R$ 11 milhões no Maranhão.

A divisão do PT maranhense entre seu candidato Felipe Camarão e Orleans Brandão marca uma trajetória camaleônica da legenda nas eleições de governador. Em 2006, se juntou ao PSB de Edson Vidigal e ficou fora da campanha no segundo turno, quando Jackson Lago impôs a primeira derrota ao sarneísmo em décadas.

Como Jackson foi cassado e Roseana assumiu o governo, em 2010, ela devolveu a derrota de 2006 a Jackson. Em 2014, o PT apoiou Lobão Filho (MDB) contra Flávio Dino; em 2018, foi com Dino e, em 2022, com Carlos Brandão. Só que, em nenhuma dessas eleições, o PT teve candidato a governador como tem agora.

A pergunta que não quer calar: ao permanecer, até 4 de outubro, atrás de Orleans e Braide, no eventual segundo turno, o PT de Camarão vai para que lado? A lógica política aponta para Orleans, se a eleição presidencial também tiver segundo turno e Lula estiver no páreo.

Mas a verdade é que, nesta fase da campanha, tudo é incerto e não sabido. Até o desfecho da eleição presidencial é desafiador para a democracia brasileira, cujos alicerces foram sacudidos quatro anos atrás por ameaça de golpe, mas aguentou o tranco. Daqui a 30 dias, o Brasil vai mostrar ao mundo que suas instituições foram construídas para resistir a outros solavancos, se defender de aventuras internas e garantir sua robustez.

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