Cangaço de luxo invade o plenário do Supremo
Por Raimundo Borges
O Imparcial – O cangaço entrou no Supremo Tribunal Federal e parou no plenário, mas Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, estava fora. Ele não empunhou bacamarte, não usou chapéu de couro nem carregava Maria Bonita pela caatinga do Planalto Central.
Está preso e cuidando das hortaliças da Papudinha em Brasília, ou gastando seis horas por dia discutindo com advogados como sair daquele inferno para um banqueiro chamado Daniel Vorcaro, comprador de influência nas entranhas dos Poderes da República e ao redor. Tudo para tentar salvar do lamaçal financeiro o seu Banco Master, maior escândalo do setor desde quando D. João VI fundou o Banco do nome do Brasil, em 1808. E acabou onde nunca ao menos sonhou.
O ambiente de trabalho mais solene, respeitado, ritualístico e litúrgico do Brasil presenciou um luxuoso quebra-pau quando se discutia, perante as TVs de alcance mundial, se a “excelência” dos ministros realmente está imune à corrupção e ao juízo duplo entre ser julgador e julgado.
A agenda da única sessão da história da Suprema Corte para julgar se os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça podem ser investigados pelas condutas reveladas em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público foi prolongada pelo pedido de vista do ministro Flávio Dino, o mais novo entre aquele colegiado.
Depois de um dia tenso, de dedo em riste, vocabulário frouxo, um presidente assustado e dialética verborrágica imprópria, os trabalhos foram interrompidos por Dino. Alegou falta de controle dos confrontos pelo presidente Edson Fachin.
Em meio à confusão, Kassio Nunes se considerou impedido, negou que o filho advogado recebeu mesada de R$ 300 mil de Vorcaro, seguido por Dias Toffoli, cuja família vendeu o Resort Tayayá a um fundo financeiro do mesmo banqueiro. Porém, permaneceu na sessão, na espreita de eventuais provocações de seus pares. O caldeirão entornou de vez quando Gilmar Mendes e Mendonça partiram no estilo “sai da frente”, usando um vocabulário super-ralado.
Como Edson Fachin não conteve os ânimos, o resto da encrenca ficou para outro capítulo, talvez mais emocionante. Gilmar chamou o colega Mendonça de pixuleco e boneco eleitoral, sem citar Flávio Bolsonaro, e virou “leviano” na boca do “terrivelmente evangélico”.
O decano elevou o tom, olhando irado para o colega, taxando-o de “sujeito” que age eleitoralmente no caso Master, contra Moraes. “O interesse é evidente, acachapante, extravagante. Se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral”, atacou. Esse tipo de cangaço verbal vale manchete, mas, por enquanto, não parece ter peso para fazer transbordar ou secar urna eleitoral num dos lados da corrida ao Planalto.
Uma pesquisa do Datafolha deste mês mostrou que 85% dos eleitores declararam que as acusações envolvendo os ministros do STF não mudaram, de imediato, suas intenções de voto. No entanto, no longo prazo, analistas econômicos alertam para o risco de o prolongamento do julgamento no STF acabar por ampliar a rejeição institucional e manter a volatilidade política até o dia das urnas.
Como a sessão trágica de 3ª feira deixou aberta a questão de fundo sobre investigar ou não Moraes e André Mendonça e foi para a questão de ordem sobre se eles serão julgados juntos ou separados, esse caldo de complicações tem força para mover a eleição mediante o uso das redes sociais e o horário de TV.
Na avaliação de Ana Laura Barbosa, professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e do Insper, Flávio Dino usou uma “cartada” regimental para postergar o julgamento, gesto que acabou beneficiando Alexandre de Moraes.
Ela entende que foi uma estratégia bem-sucedida da ala de Moraes, que saiu vitoriosa neste primeiro embate, embora o mérito da petição que pode levar à investigação do ministro seja analisado posteriormente. Outra questão em aberto é: Moraes e Mendonça podem votar em ações contra si? E Dino ainda jogou grude na parede: “É o momento mais corrupto da história do Judiciário”.


Lamentável, quando juízes comportam-se como advogados de bandidos!
Aquele espetáculo escabroso e horripilante lembrou-me o saudoso advogado Jámenes Calado,quando defendia criminosos no Tribunal do Júri.Apesar de tudo,dr.Jámenes tinha uma boa oratória.Na rinha dos ministros a Língua Portuguesa de Camões foi pisoteada.Lamentável!