17 de setembro de 2026
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Lula classifica sessão do STF como “show de horrores” e vai procurar Fachin para conversa

Brasil 247 – Presidente teme que crise na Corte prolongue desgaste político e avalia que Moraes deve se explicar sobre mensagens de Vorcaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou irritação com a sessão do Supremo Tribunal Federal que terminou sem decisão sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master e, segundo aliados, classificou o episódio como um “show de horrores”.

De acordo com a Folha de São Paulo, Lula pretende procurar o presidente do STF, Edson Fachin, para discutir uma saída que evite um adiamento prolongado da análise. A suspensão ocorreu após pedido de vista de Flávio Dino, que pode interromper o julgamento por até 90 dias e levar a retomada da discussão para depois das eleições.

A avaliação no entorno do presidente é que a indefinição prolonga a crise interna no Judiciário, amplia o desgaste institucional e tira espaço do debate eleitoral sobre propostas para o país. Aliados de Lula afirmam que a turbulência tem sido explorada pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, que transformou a crítica a Moraes em uma de suas principais bandeiras de campanha.

Por isso, interlocutores do presidente rejeitam a tese de que Lula teria interesse na suspensão do julgamento. Na leitura desse grupo, manter o caso sem desfecho favorece a oposição ao conservar a crise no centro da disputa política. Ainda assim, adversários podem explorar o fato de o adiamento ter ocorrido por iniciativa de Dino, ex-ministro da Justiça do atual governo.

Segundo relatos de aliados, esse ponto aumentou a frustração de Lula. O presidente teria avaliado que ministros próximos a Moraes priorizaram a preservação do colega em vez de buscar uma solução capaz de reduzir a tensão entre os Poderes. Nos bastidores, Lula demonstrou preocupação com a atuação de Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin no desfecho da sessão.

A sessão do STF havia sido convocada para discutir um relatório da Polícia Federal que menciona mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Alexandre de Moraes. O debate, porém, acabou se ampliando e passou a envolver também questionamentos sobre a atuação de André Mendonça, relator do caso, cuja conduta deverá ser analisada em sessão prevista para o dia 23.

Um ponto visto como atenuante por petistas foi a retirada parcial do sigilo sobre dados ligados à rede de pagamentos do Banco Master e aos inquéritos. Para aliados do governo, o acesso de mais ministros às informações reduz o risco de vazamentos seletivos por parte de Mendonça.

Em entrevista nesta quarta-feira (16) ao canal Desce a Letra Show, no YouTube, Lula afirmou que, com o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro agora nas mãos de mais ministros do STF, será possível à sociedade saber “quem foi fazer suruba”. O presidente também disse que havia “gente famosa” agenciando mulheres e atuando como “cafetão da turma”.

Na mesma entrevista, Lula criticou a imagem atual do Judiciário e defendeu uma discussão sobre mudanças no sistema de Justiça. “Acho que não tem como não discutir mais isso”, afirmou. O presidente também elogiou a atuação de Moraes na defesa da democracia, declaração que levou integrantes da campanha à reeleição a negar que se trate de apoio incondicional ao ministro.

O advogado Marco Aurélio, coordenador da campanha de Lula em São Paulo e integrante do grupo Prerrogativas, afirmou à Folha que, na avaliação do presidente, Moraes é atacado por bolsonaristas pelo que fez corretamente na defesa da democracia, mas isso não elimina a necessidade de explicações sobre o caso Master.

“É importante que o Alexandre se explique. Temos uma crise sem precedentes na história do nosso sistema de Justiça. E o Poder Judiciário tem que ter a dimensão da gravidade dessa crise”, disse Marco Aurélio.

Segundo ele, a posição de Lula é a de que ninguém está acima da lei. A defesa da democracia, na leitura atribuída ao presidente, não dá a Moraes uma prerrogativa especial para deixar de responder a questionamentos relacionados às mensagens citadas no caso.

Marco Aurélio também busca afastar a crise do Palácio do Planalto. Ele afirma que o caso Master não nasceu no atual governo e sustenta que o esquema teria sido estruturado durante a gestão de Jair Bolsonaro e desmontado no governo Lula.

Apesar desse discurso, Lula acompanha o caso com preocupação. Ainda segundo a Folha, na manhã de terça-feira, antes da sessão, o presidente procurou ao menos um ministro para saber o que esperar do julgamento. A resposta que recebeu foi de que o resultado era imprevisível.

A exposição pública do racha no STF durou mais de cinco horas de manifestações e quase oito horas de sessão, contando o intervalo para almoço. Após ouvir críticas de colegas à condução do processo e sem conseguir levar o ponto principal à votação, Fachin suspendeu a discussão diante do pedido de vista de Dino.

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