
A campanha de governador sai da “geral” e vai à beira do campo
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Não parece exagero traçar parâmetros ou simetrias entre o futebol e a política, principalmente quando as eleições gerais no Brasil estão a menos de duas semanas das escolhas do presidente da República, governadores e demais mandatários legislativos. No Maranhão, a corrida ao Palácio dos Leões foca os grandes colégios eleitorais e deixa os pequenos para os candidatos a deputado e senador.
Os dois líderes da corrida governamental, Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), têm estratégias invertidas na geografia política. Enquanto o candidato do PSD busca ocupar espaço nas cidades mais distantes da capital, o emedebista intensifica a campanha na cidade-reduto do seu ex-prefeito.
Logicamente, a política e o futebol se assemelham na forma como mobilizam paixões coletivas, porém, diferenciam-se quando a política define o futuro de toda a sociedade, e não apenas a busca de um troféu futebolístico por 11 jogadores em campo.
Quando a campanha sai da “geral” e chega à “beira do campo”, significa o eleitor querendo proximidade máxima das propostas dos protagonistas do jogo político: os candidatos. Nunca no Maranhão dois primos disputaram o governo, cujas campanhas mantêm-se no nível aceitável de civilidade, não pelo grau de parentesco, e sim pela conjuntura política do momento, que sugere segundo turno no âmbito estadual e nacional.
Eduardo Braide colou sua imagem à de André Fufuca de forma mais intensa que à de Lahesio Bonfim. Os dois candidatos ao Senado e o líder da chapa de oposição são de correntes políticas sem laços, que se juntaram nesta campanha: uma fusão de lulismo (Fufuca), bolsonarismo (Lahesio), Elaine Carneiro (vice) e centro-direita (Braide).
Do lado governista, o time de Orleans se uniu ao sarneísmo, de Roseana Sarney (MDB), e ao pedetismo, de Weverton Rocha (PDT). Quando as duas equipes buscam reforçar a campanha sobre propostas concretas, e não apenas na geografia do campo, o eleitor terá mais chance de acertar.
O candidato do PT, Felipe Camarão, e a senadora Eliziane Gama arrastam para o centro da campanha a imagem do presidente Lula, também usada como técnico do time de Orleans, de braços dados com Carlos Brandão. O governador e o sobrinho-candidato têm um robusto plano de governo, estruturado sobre as realizações dos últimos anos no interior e na capital.
São ações que cobrem todas as áreas de governança, enquanto Braide procura mostrar que as obras “que transformaram São Luís” vão “transformar o Maranhão”. Já Camarão também explora o que fez como secretário de Educação de Flávio Dino.
Desde a popularização do futebol na década de 30, governos nacionalistas e fascistas procuram explorar o potencial político da bola em campo. Ao longo do tempo, a Seleção e times foram usados como vitrine ou distração por governos ditatoriais, como o de Garrastazu Médici.
Já Bolsonaro tentou trazer a Copa América para o Brasil em 2021, em plena pandemia; e o presidente Donald Trump ganhou a taça do Mundial de Clubes da Fifa, em 2025, e agiu na Copa do Mundo de 2026. São fatos que obrigam o eleitor a estar atento para não misturar paixão de torcedor de time com a consciência sobre a eleição que se avizinha, importantíssima para todos os brasileiros, para o Brasil e para a democracia perante o mundo.
A eleição estadual tem o mesmo grau de relevância tanto para a população de São Luís, com seus 756 mil eleitores, quanto para a diminuta Nova Iorque do sul maranhense, com 4.320. Ela é o paradoxo da megalópole americana New York.
Seja como for, a eleição do dia 4 exige juízo das lideranças políticas, grandeza dos ministros do Supremo Tribunal, de todos os candidatos presidenciais e maturidade política do eleitorado de qualquer espectro ideológico. A democracia brasileira é exemplar no mundo, por isso, maior que bolsonarismo, direitismo, esquerdismo ou o radicalismo de torcida organizada.

