25 de setembro de 2026
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Mercado Livre terá entrega de remédios em uma hora em disputa com iFood e farmácias e venderá também GLP-1

Invest News – A nova modalidade, chamada Envios Agora, vale também para produtos de outras categorias, desde que sejam elegíveis, pesem até 15 quilos e estejam em uma das regiões atendidas.

Os pedidos serão retirados diretamente no estabelecimento do vendedor. Neste início, o serviço está disponível para vendedores selecionados em algumas áreas da capital paulista.

Velocidade importa

Na farmácia, porém, o tempo tem um peso especial. Quem precisa de um remédio para dor ou febre pode preferir uma loja próxima a esperar a entrega de um marketplace.

Por isso, a promessa de uma hora é central para o plano do Mercado Livre de transformar sua operação ainda pequena de medicamentos em uma plataforma para redes parceiras.

A empresa comprou no ano passado uma farmácia para iniciar os testes, mas diz que seu objetivo é conectar farmácias aos consumidores dentro do marketplace. As primeiras parceiras devem começar a operar na primeira quinzena de outubro.

Segundo a companhia informou na coletiva, serão três nessa etapa inicial; a meta é terminar o ano com 20 farmácias de redes terceiras, distribuídas por São Paulo.

O Mercado Livre também passou a oferecer medicamentos que exigem prescrição e retenção de receita, incluindo antibióticos e canetas GLP-1. A operação, antes restrita a uma área menor, foi ampliada para atender a Região Metropolitana de São Paulo. A validação das receitas cabe ao farmacêutico.

A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) informou que vai questionar a Anvisa sobre a legalidade da operação de venda de medicamentos do Meli.

“No entendimento da entidade, enquanto não for concluída a regulamentação em discussão na agência, permanece vedada a comercialização de medicamentos por marketplaces”, afirma a Abrafarma.

Fernando Yunes, vice-presidente sênior e líder das operações do Mercado Livre no Brasil, argumenta que a lei de que aprovou a venda de medicamentos em supermercados daria o entendimento de que a liberação se estende aos marketplaces.

“Com relação ao marketplace, a entendemos que, com o projeto de lei que teve nos supermercados e depois do pronunciamento da Anvisa, a operação de marketplaces está autorizada no Brasil.”

Investimento na logística

O desafio é entrar em uma disputa na qual o iFood já tem escala. Um levantamento do Citiapontou R$ 3,4 bilhões em vendas na categoria farmácia do aplicativo nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026.

O número inclui outros produtos vendidos por farmácias, além de medicamentos. Dados divulgados pelo iFood apontam mais de 22 mil farmácias parceiras ativas em 984 cidades do país.

Essa diferença de cobertura importa para a promessa de velocidade: quanto mais perto a farmácia estiver do comprador, menor será o percurso da entrega.

O Mercado Livre terá de atrair estabelecimentos e entregadores parceiros em número suficiente para sustentar o prazo de uma hora à medida que a operação crescer.

O Envios Agora faz parte de uma expansão mais ampla da logística do Mercado Livre. A companhia prevê abrir 20 operações de grande porte no Brasil ao longo de 2026, entre centros de armazenagem, triagem e distribuição. Se cumprir o plano, terminará o ano com 72 centros desse tipo, 39% mais que em 2025.

Raquel Brandão é jornalista de negócios no InvestNews. Com mais de uma década de carreira, passou por Estadão, Valor e Exame. Especialista pela FGV e MBA pela USP, foi eleita três vezes uma das jornalistas mais admiradas de Economia e Negócios, com foco em varejo, empresas e bens de consumo.

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