30 de setembro de 2026
Geral

Carta a um jovem eleitor

Lourival Serejo

Caro jovem, você que vai votar pela primeira vez, com 17 anos, receba meus parabéns. Eu só pude votar para presidente com 38 anos de idade. A ditadura roubou minha cidadania no meio da minha juventude.

Como se trata do seu primeiro voto,  tomo a liberdade de lembrar-lhe de algumas coisas de que você precisa saber antes de escolher o seu candidato. Não pense que estou lhe dando conselhos. Os jovens devem aprender a exercitar sua juventude de forma independente.

Avalie que você mora num país promissor, com um futuro aberto e boas perspectivas para progredir mais e mais. Nada, entretanto, vale essa esperança se não forem asseguradas aos seus habitantes condições de uma vida digna, com pessoas que tenham onde morar e não passem fome. E os jovens tenham educação e trabalho. E todos tenham liberdade de ir e vir, assim como de expressar suas ideias livremente.

Essas garantias só são  possíveis num regime democrático. Você talvez não perceba, pois ainda não parou para observar: nós vivemos numa democracia, em que todos têm direito de falar, de escrever e de protestar. Ainda não atingimos seu estágio perfeito, mas, com todos os seus defeitos, a democracia ainda é o melhor regime de governo.

Houve um tempo aqui no Brasil em que não era assim. No meu tempo de estudante universitário, vivíamos com medo. Medo até do colega que sentava ao nosso lado, porque ele podia ser um espião do regime ditatorial em que vivíamos. Nenhuma instituição estava a salvo das incursões autoritárias, nem a Igreja. Muitos padres foram presos e torturados.

Procure ouvir as promessas dos candidatos para perceber quem está discutindo temas que melhorem a vida das pessoas pobres, quem está apresentando o melhor projeto de governo. Seu primeiro voto coincidirá com a eleição mais influenciada pelos recursos da tecnologia e pela  propagação desenfreada das mentiras. Atente para esse detalhe.

Meu caro eleitor, você como jovem, já deve ter ciência da sua responsabilidade de saber votar, de saber escolher o melhor candidato, sem influência de ninguém, nem mesmo dos seus pais. A partir dessa posição, você construirá sua personalidade.

O título de eleitor que está em suas mãos é uma arma poderosa. O seu voto deve passar antes pela sua consciência. O voto é o instrumento mais eficiente da democracia. E você está com esse instrumento em suas mãos. Procure saber exercitá-lo desde o primeiro voto.

Não se deixe contaminar por aqueles que deixam de votar porque não acreditam nas palavras de políticos, que são ladrões etc. Não é isso, não. A democracia precisa dos partidos e dos políticos. Se alguns não corruptos, a maioria é fiel aos postulados éticos. Caso você perceba que o candidato não é bom, não vote nele. Se ele exerce algum cargo público e demonstre ser mau gestor, não vote nele. Mas não deixe de votar. Diante das transformações que o mundo está vivendo, os jovens não podem cruzar os braços. Vote.

P.S. Dedico esta crônica ao meu neto Marcos, que vai votar pela primeira vez. 

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