20 de julho de 2024
DestaquesGeralPolítica

Na balada ideológica todos dançam em SL

Por Raimundo Borges 

O Imparcial – A palavra idiossincrasia é pouco usual na vida cotidiana, portanto, desconhecida da maioria da população. Mas é aplicável desde um tratamento psicológico até à sociologia política.

Ela cabe perfeitamente na realidade vivida hoje em São Luís pelos partidos e suas lideranças, quase sempre atordoadas com tantas peças do quebra-cabeça político-eleitoral ainda fora do lugar no tocante à disputa da prefeitura mais importante do Maranhão. Alguém pode imaginar que no jogo eleitoral já se molda um jeito de convivência camarada entre dois brasis marcados pelos extremos ideológicos O Brasil da extrema-direita bolsonarista derrotado em 2022 e o Brasil da esquerda lulista no poder central.

Esse modelo, engendrado longe dos holofotes e do público que vota em 6 de outubro já motiva conversas animadas entre socialistas do PSB do pré-candidato a prefeito Duarte Júnior, apoiado pelo governador Carlos Brandão, e o pragmático deputado federal Josimar de Maranhãozinho, líder maior do PL bolsonarista regional.

O próprio Duarte declarou à TV Difusora, 3ª feira, que a “polarização entre esquerda e direita no Brasil não faz o menor sentido”. Logo se conclui que, o firme e inusitado colóquio político,envolvendo o PSB e o PL de São Luís se encaixa na velhaca constatação: a disputa pelo poder permite até abraço de tamanduá, sem o risco de um lado sair arranhado.

Fica claro que a idiossincrasia como um conjunto de elementos cuja combinação dá temperamento e caráter individual, serve também para cristalizar a compreensão da diversidade de opiniões e dos interesses difusos de uma coletividade.

Como o ser humano é dono de suas próprias preferências políticas, um arranjo construído para juntar interesses tão contraditórios, como os bolsonaristas alinhados com o PSB, PT e PCdoB, choca. É algo não só atípico como impactante para o eleitorado. Significa que, onde não houver uma única solução ideológica que atenda as demandas do conjunto social divergente, o jeito é somar a esquerda com a direita e esperar que o resultado do angu seja minimamente palatável.

A aliança PL-PSB, que o jornalista Ribamar Corrêa em seu blog, dá como “plenamente resolvida”, pode até não ser avalizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mas obviamente, vai dar muito o que falar.

Afinal, ele sabe que, quando estava no Planalto não tinha o apoio cem por cento da bancada do PL maranhense – formada pelos deputados Josimar do Maranhãozinho, sua esposa Detinha, Júnior Lourenço e o Pastor Gil – comungando com suas posturas radicais antipetistas e antidemocráticas.

Josimar é imexível no PL porque arrasta uma invejável votação em dezenas de municípios que controla, de porteira fechada, com verbas de emendas parlamentares e o clientelismo purificado.

Está provado que não é totalmente correta a interpretação que circula de tempo em tempo no meio acadêmico, segundo a qual, o eleitorado brasileiro e em particular do Maranhão orienta o voto, olhando o espectro ideológico de esquerda e direita, dos candidatos. É tão surreal isso que, o hoje ministro do STF Flávio Dino, por 7 anos de governo foi erroneamente tachado de “comunista” por aqueles que também não sabem por qual motivo se acham “direitistas”.

Profundo conhecedor desse ralo tecido ideológico, o governador Carlos Brandão jamais se ocupou dessesqualificativos sem sentido. Nem mesmo como o vice do primeiro e único governador eleito pelo Partido Comunista do Brasil. E assim será nas eleições de 2024 e 2026, mesmo filiado ao Partido Socialista Brasileiro.

PÍLULAS POLÍTICAS

PT sempre PT

O empresário Fred Campos trabalha fortemente para levar todo o PT a seu palanque, em Paço do Lumiar, ao lado de Carlos Brandão. Ele tem o apoio do deputado federal Rubens Jr e espera o vice-governador Felipe Camarão e demais dirigentes petistas.

Pressão total (1)

O futuro presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, Froz Sobrinho tem tido uma agenda redobrada de trabalho. Tem que dar conta dos processos de sua responsabilidade, das sessões do pleno e, agora, sob o cerco direto dos caçadores de cargos.

Pressão total (2)

Em pouco mais de duas semanas, Froz Sobrinho será presidente do TJ, num momento tenso, tanto pelos problemas do Fórum de Imperatriz inacabado, quanto pela inédita situação de está com os dois desembargadores mais antigos da corte – Guerreiro Jr e Antônio Bayma – afastados pelo CNJ.

Homenagem recusada

Proposta pelo deputado Júlio Mendonça (PCdoB), o Plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão rejeitou ontem 3, por maioria, homenagens ao MST, à Fetaema e à Contag. No Tempo de Flávio Dino no governo, matéria assim, passava em qualquer resmungado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *