19 de julho de 2024
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Josimar sumiu da Câmara e Detinha apoiou Brazão

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A polarização política entre direita bolsonarista e esquerda lulista que interfere diretamente nas votações do Congresso Nacional e, vez por outra, também em julgamentos no Supremo Tribunal Federal, vive um momento delicado diante da prisão do deputado federal Chiquinho Brazão, acusado de mandar matar a vereadora Marielle Franco há seis anos.

A manutenção de Brazão na cadeia pelo plenário da Câmara, enfraqueceu o presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL), fortaleceu o STF, que vem sendo atacado até pela extrema direita mundial, e embaralhou o jogo da eleição de presidente da mesa diretora em fevereiro de 2025.

Desde quando a Polícia Federal prendeu, em 24 de março, Chiquinho Brazão e seu irmão Domingos Brazão, Conselheiro do TCE-RJ, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, a temperatura entre o Legislativo e o Judiciário subiu ao nível máximo.

Por ser um deputado federal da UB, que o expulsou no mesmo dia, Brazão virou símbolo da guerra que as milícias  travam umas contras outras e o Comando Vermelho no Rio. A prisão mexeu com o poder de Arthur Lira, líder do Centrão e com o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Portanto, o jogo saiu do controle de Lira e ganhou outra dimensão.

Como principal liderança do PL no Maranhão, o deputado Josimar de Maranhãozinho, um político astuto e especialista em capturar votos para si e para quem interessar possa, preferiu sair da encrenca Brazão. Usou a astúcia da avestruz em perigo. No PL, Maranhãozinho nunca apareceu enrolado na bandeira brasileira para ser visto como bolsonarista patriota de ocasião.

Na votação sobre a prisão de Brazão, Josimar sumiu do mapa e deixou a esposa Detinha liberada para tentar salvar o suposto mandate da morte de Marielle. Ele teve ainda o apoio do Pastor Gildenemyr e Alan Garcês, estes sim, bolsonaristas de tempo integral.

Não é à toa que Josimar tem o apelido de “Moral da BR”. Ele sabe o lugar e o tempo para bom para amealhar os milhares de votos, que o faz até em festa de reggae no asfalto da BR-316, onde domina, desde quando foi prefeito do município de Maranhãozinho.

Como deputado federal, se reelegeu em 2022 como o terceiro mais votado e pôs a esposa Detinha no primeiro lugar, sem nunca ter antes, concorrido a uma eleição. Como bolsonarista, nunca bateu de frente contra Flávio Dino, opositor ranzinza da direita e de Bolsonaro e, agora, também, está longe de radicalizar contra Lula. Nesse jogo, ele tem quatro deputados federais no PL e vai eleger dezenas de prefeitos.

Enquanto alguns deputados do Centrão sumiram, votaram a favor ou se abstiveram de proteger Chiquinho Brazão, agora, ele está na mão do Conselho de Ética que vai dar a palavra final sobre o mandato.

O STF mandou prendê-lo, mas a decisão precisava de confirmação da Câmara. Agora, caberá à própria Câmara tomar a decisão final, no Conselho de Ética. No caso concreto dos irmãos Brazão, é possível que os ministros da corte possam ser acionados em grau de recurso, já que o deputado tem foro privilegiado, assim como o irmão Domingos, na condição de conselheiro do TCE-RJ.

PÍLULAS POLÍTICAS

Reação a Fake News

O Ministério Público do Maranhão penalizou com multa pecuniária, Zacarias Batista Rodrigues por difundir notícias falsas e ofensas no WhatsApp, em Barreirinhas, contra a deputada Iracema Vale (PSB), presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão.  

Situação esquisita

Caso o TSE mantenha a decisão do TRE-MA que cassou o mandatos dos deputados Fernando Braide (PSD) e Wellington do Curso (Novo), a oposição ao governo Brandão na Alema ficará restrita aos deputados Othelino Neto e Rodrigo Lago (PCdoB)

Questão de ordem (1)

O senador Weverton Rocha (PDT), relator na CCJ do Senado do Projeto de Lei que garante aos membros do Judiciário e do MP medidas de proteção pessoal, rebateu críticas do também senador Omar Aziz (PSD-AM), que é contra a proposta.

Questão de ordem (2)

Ao contrário do que diz o senador amazonense, alegando que os governantes vão retirar a polícia das ruas para proteger promotores e juízes, Weverton assegura que o objetivo do projeto é endurecer as penas contra o crime organizado que vive a ameaçar quem os incomoda.

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