18 de julho de 2024
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Terezinha Rêgo, referência em fitoterapia, morre aos 91 anos, em São Luís

G1 – Terezinha Rêgo estava internada em estado grave em um hospital particular de São Luís há uma semana após cair e bater a cabeça.

Morreu, na madrugada desta sexta-feira (3), a professora, pesquisadora e pioneira no estudo da fitoterapia no Maranhão, Terezinha Rêgo, aos 91 anos. Ela estava internada em estado grave em um hospital particular de São Luís há uma semana após cair e bater a cabeça.

De acordo com a família de Terezinha, após exames médicos, ela foi diagnosticada com pneumonia. A causa da morte foi uma insuficiência respiratória.

A doutora teve a vida dedicada a estudar o poder de cura das plantas, se tornando referência em fitoterapia. Em setembro de 2020, a professora recebeu uma homenagem em sessão especial no Senado, em Brasília, pelos 55 anos de dedicação à flora medicinal maranhense.

Quem foi Terezinha Rêgo?

 

Terezinha Rego foi pioneira no estudo da fitoterapia e da flora maranhense — Foto: Arquivo/Governo do Maranhão
Terezinha Rego foi pioneira no estudo da fitoterapia e da flora maranhense — Foto: Arquivo/Governo do Maranhão

Terezinha Rêgo era doutora em Botânica, membro fundadora da Academia Maranhense de Ciências e foi professora titular do Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), sendo pioneira e reconhecida, nacionalmente e mundialmente, pelo estudo da flora medicinal do Maranhão.

A maranhense trabalhou por mais de 55 anos na formação de estudantes de farmácia e no estudo da medicina popular, por meio da fitoterapia. Mesmo após ter deixado a sala de aula e os laboratórios de pesquisa, Terezinha Rego continuou atuando no projeto de Fitoterapia no Herbário Ático Seabra, local que foi fundado por ela e estão catalogadas quase 11 mil espécies que caracterizam a flora do estado do Maranhão.

A maranhense também foi bolsista do Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na Universidade de São Paulo (USP) e foi eleita, em Cuba, representante de Etnobotânica junto à América Latina, de 1990 a 1994.

Terezinha Rêgo em sua formatura no Maranhão — Foto: Arquivo pessoal
Terezinha Rêgo em sua formatura no Maranhão — Foto: Arquivo pessoal

O interesse pelas plantas surgiu quando ela ainda era criança e foi uma herança do avô. Em 1957, ela se formou pela Universidade Federal do Maranhão e logo em seguida, iniciou o trabalho de pesquisa e popularização das hortas medicinais.

Um dos seus primeiros trabalhos foi a instalação de hortas medicinais nas periferias de São Luís, por meio de uma pesquisa junto às comunidades carentes. A ideia surgiu devido a dificuldade de acesso das pessoas à medicamentos comuns.

Com isso, surgiu a ideia de fazer medicamentos naturais partindo do mel, tais como xaropes, tinturas e pomadas. Em 2020, Terezinha Rego tinha mais de 48 produtos naturais lançados, além de livros dedicados à fitoterapia e chás medicinais a partir da flora presente no Maranhão.

Um dos destaques da sua carreira foi o lançamento de um medicamento que, segundo estudos desenvolvidos, curam a cura sinusite, rinite alérgica e adenoide. O medicamento demorou 20 anos para ser lançado.

Além disso, Terezinha Rego trabalhou no estudo da chanana, uma flor amarela tem uma substância energética que melhora o sistema imunológico. O componente foi usado no tratamento do câncer no Hospital Aldenora Bello, em São Luís, já que tem indícios de que aumenta a resistência orgânica.

Ela deixa duas filhas, Tânia Maria Silva Rêgo, professora e doutoranda em música e, Telma Maria Silva Rêgo, professora de filosofia.

Velório e cremação

O velório da professora Terezinha Rêgo será a partir das 9h, no Salvatore Funeral Home, situado na Avenida Avicênia, no bairro Calhau, em São Luís. O corpo da doutora em botânica será cremado na parte da tarde.

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