20 de julho de 2024
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As lições do clima que a tragédia já produziu

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Desde o século 19 até o meado do século 20, o Brasil acostumou-se a achar que o Nordeste tinha uma péssima relação com a natureza, a ponto de ser considerado terra de gente pobre, analfabeta e condenada ao flagelo de sucessivas secas.

Ninguém ainda debatia a questão do clima no Brasil, enquanto os nordestino foram se espalhando, num êxodo contínuo, para outras região do Brasil, buscando a sobrevivência. A história registra a “Grande Seca” no Nordeste, no período de 1877-1879. Foi o mais devastador fenômeno de estiagem já registrada no Brasil, cuja calamidade matou de 400 mil a 500 mil pessoas.

Vale destacar que, do total de 800 mil moradores no Nordeste naquele ano, cerca de 120 mil migraram para a Amazônia (incluindo o Maranhão) e 68 mil para outros estados. O Ceará foi o estado mais devastado pela fome, sem colheita, sem água, sem plantio, sem animais nas fazendas e com as famílias despovoando o sertão.

Tanto aquele flagelo quanto os que vieram depois, como ocorre hoje no Rio Grande do Sul, são provocados pelo fenômeno El Niño, causador dos temporais, associado ao La Niña, que muda o clima para as secas prolongadas em qualquer parte do país. Portanto, o dilúvio que se abateu no Rio Grande só foi surpresa, pela intensidade dos temporais, não pela ocorrência em si.

Enquanto isso, vinda da Antártida, uma frente fria traz chuva e vendaval, mas sem força para empurrar o ar quente. Junto a isso, com o El Niño, as frentes andam de leste para o oeste, em vez de sul para norte, o que faz com que chova mais tempo em um só lugar, como explica o pesquisador Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Já a posição geográfica do Maranhão, o ameniza tanto das ocorrências do El Niño quanto do La Niña. Em 2022, por exemplo, o Monitor do Clima indicou que houve redução das áreas com seca fraca e moderada no Maranhão, único Estado nordestino que registrou melhora nas condições do fenômeno. No restante do Nordeste, a situação climática piorou.

Mas a piora tem sido de menor intensidade, comparada com os grandes eventos climáticos do passado. Como chuva significa renovação da vida na natureza, o Nordeste tem buscado todos os meios possíveis de resistência às intempéries do tempo com união, tecnologia, criatividade e exploração de tudo que redundar em riqueza e bem estar da população.

Portanto, a região historicamente estigmatizada pelo Sudeste e Sul, tem avançado nos indicadores de crescimento bem acima da média nacional. Já é sabido que, com a ajuda do clima, é possível quebrar a disparidade entre as regiões e o Brasil possa ter um futuro menos desigual entre suas diferentes classes sociais.  

Nem a seca nordestina de 1877 trouxe tantas lições para o Brasil quanto esse diluvio do Rio Grande do Sul. O flagelo dos gaúchos será superado pela união dos brasileiros solidários num nível jamais visto. Nem na pandemia da covid tantos mudaram de atitude positiva em relação ao próximo.

Mas falta muito mais respeito ao meio ambiente, com a consciência de que o negacionismo e a ganância pela destruição irresponsável e criminosa da natureza só levam a catástrofes cada vez mais violentas e em tempo cada vez mais curto. Preveni-las é, pois, responsabilidade de cada brasileiro e brasileira.

PÍLULAS POLÍTICAS

Mão na massa

Nove pessoas foram presas pela Polícia Federal no Maranhão, flagradas no velho crime eleitoral de transferência encabulosa de domicílio eleitoral. Eleitores trazidos de um município para outro, com a garantia do voto no de 6 de outubro. O uso do cachimbo entorta a boca.

Merecida

O ministro do STF Alexandre de Moraes, respeitado mundialmente, como um dos baluarte que sustentaram a democracia brasileira contra o quase golpe de estado de 8 de janeiro de 2023, poderá ser homenageado com medalha do Mérito Legislativo Manoel Bequimão, maior honraria da Assembleia Legislativa, proposta pelo deputado Othelino Neto (SD).

Nó cego (1)

Atendendo recurso dos deputados Rodrigo Lago, Carlos Lula e do vice-governador Felipe Camarão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet recorreu ao ministro do STF, Kássio Nunes Marques contra o bloqueio de R$ 430 milhões do precatório dos professores do Maranhão, para pagamento de bancas de advogados.

Nó cego (2)

Trata-se de uma ação da Procuradoria Geral do Estado, de 2003, contra a União por não repassar recursos do Fundeb, que resultou numa vitória espetacular que hoje soma R$ 4,4 bilhões. O Sinproesemma contratar em 2022, cinco bacas de advocacia, quando o Estado do Maranhão já havia ganho a questão.

Coletivo tucano

Sob o comando regional do secretário estadual da Casa Civil, Sebastião Madeira, o PSDB de Imperatriz vai adotar naquela cidade o sistema de candidaturas coletivas, um modelo que o PT adotou em 2020 em São Luís e deu certo.  Ontem ele debateu o assunto em São Luís.

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