18 de julho de 2024
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Quem espalha e quais são as fake news mais compartilhadas sobre o RS

DCM – Um estudo realizado pelo laboratório de pesquisa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab – ECO/UFRJ) revelou os principais propagadores de desinformação sobre a tragédia climática que continua a afetar o Rio Grande do Sul.

A análise, que abrange o período de 27 de abril a 10 de maio, identificou uma intensa onda de notícias falsas e negacionistas circulando pelas redes sociais, focadas em desacreditar as iniciativas do governo federal e disseminar teorias conspiratórias.

O relatório do NetLab destacou que figuras influentes, como o influenciador digital Pablo Marçal e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram identificados como os maiores disseminadores de desinformação.

Marçal, conhecido por seus cursos de “desenvolvimento pessoal” e proprietário do “La Casa Digital”, usou suas plataformas para espalhar rumores infundados sobre a atuação da Polícia Rodoviária Federal nas doações para as vítimas das enchentes.

Eduardo, por sua vez, acusou o governo federal de bloquear a entrada de caminhões com doações, uma alegação que foi rapidamente refutada. “A esquerda e a Globo estão tentando ocultar a realidade do bloqueio de doações”, insistiu o deputado, criticando ainda a suposta demora do presidente Lula em autorizar o envio da Força Nacional ao estado.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também condenou a escolha de Lula de visitar Santa Maria antes de Porto Alegre, apesar de Santa Maria ser a cidade mais afetada na época.

Veja a lista com os principais propagadores de desinformação:

  • Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PL-SP);
  • Pablo Marçal, influencer e empresário;
  • Cleitinho Azevedo, senador (Republicanos-MG);
  • Michele Dias Abreu, influencer cristã;
  • Leandro Ruschel, empreendedor e influencer;
  • Victor Sorrentino, médico influenciador.

O estudo identificou várias narrativas falsas que ganharam tração nas redes sociais. Entre as mais compartilhadas estavam:

Essas narrativas visavam minar a credibilidade do governo, negar a conexão entre as enchentes e as mudanças climáticas, e promover teorias conspiratórias.

“O objetivo era declarar que a ação do governo foi inadequada, rejeitar a conexão com as alterações climáticas, incorporar o desastre em agendas morais e teorias conspiratórias, e exaltar a importância de seus aliados na gestão da crise”, apontou o relatório.

Um dos fatores que podem ter contribuído para o aumento das notícias falsas é a proximidade das eleições municipais. “O ganho de força desse negacionismo está provavelmente relacionado à campanha orquestrada para atingir vários públicos, promovendo autopromoção e tirando proveito do desastre”, afirmou o NetLab.

A equipe do NetLab também identificou 381 anúncios enganosos e 51 anúncios contendo desinformação circulando nas plataformas da Meta. Esses anúncios fraudulentos promoviam produtos ou informações enganosas com a intenção de gerar lucro, frequentemente direcionando os usuários a links falsos imitando o popular site vakinha.com.br.

“O maior número de links dos anúncios fraudulentos redireciona para o site Vakinha. No entanto, alguns desses links são modificados para parecerem autênticos, como a URL www-vakinha.com/oficial/ajude-o-rs/, que induz o usuário ao erro”, destacaram os pesquisadores.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta (PT-RS), expressou sua indignação com a situação. “É difícil de entender que em um momento de tamanha fragilidade, pessoas se escondam em suas telas produzindo conteúdos que sabem ser mentirosos para obter ganho político ou econômico”, declarou ele no último domingo (12).

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