18 de julho de 2024
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A gigante siderúrgica que não saiu do papel

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Em 2007, começo do governo Jackson Lago, o Maranhão foi embalado por um festival de boas notícias na área industrial. Foi a criação de uma gigante de aço, a Companhia Siderúrgica do Mearim, com investimentos de US$ 5 bilhões numa usina projetada para produzir 10 milhões de toneladas de placas, chapas e bobinas de aço. Seria o maior projeto nesse segmento no país.

O empreendimento se juntaria a outro igualmente ambicioso, também de US$ 5 bilhões, fruto de parceria entre a Vale, na época ainda Companhia Vale do Rio Doce, e a chinesa Baosteel, em Bacabeira, na Ilha Upaon-Açu, prevista para iniciar produzindo sete milhões de toneladas de placa de aço. Tudo grandioso apenas no papel.

A lembrança daquele polo siderúrgico que não passou de um sonho de verão, vem à baila no momento em que o mesmo governo Lula de 2007 anuncia, agora, investimentos de R$ 100,2 bilhões até 2028. A anúncio foi feito no domingo passado, menos de um mês depois de o governo definir cotas de importação por um ano, de 11 tipos de produtos de aço, e taxação de 25% sobre o que exceder desse limite.

Lula deu a boa nova perante o setor empresarial da siderurgia, os ministros Fernando Haddad (Economia) Simone Tebet (Planejamento), Geraldo Alckmin (Industria e Comércio) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).

Duas coisas, porém, não podem perder de vista nesse anúncio presidencial, reiterado nas redes sociais do próprio Lula. Quando se fala em investimentos tão grandioso na indústria siderúrgica, dificilmente ficariam de fora a gigante Vale, a China com sua economia cada vez mais marcante na América Latina, e o Porto do Itaqui, em São Luís.

Ele é simplesmente estratégico na indústria siderúrgica nacional, que vem perdendo espaço no PIB brasileiro para o agronegócio. Portanto, o Itaqui, estrategicamente localizado para atender a demanda global de alumínio, cobre e ferro é, de longe, sempre visto como melhor lugar do mundo para se investir em indústria de siderurgia.

O Maranhão, que tem dado passos recentes para se tornar uma referência positiva no desenvolvimento do Nordeste e nãos a de estado mais pobre, está bem próximo dos principais centros consumidores de aço e outros minerais do mundo. Além da proximidade com os Estados Unidos e Europa, fica no meio do caminho para a China, facilmente alcançada pelo Canal do Panamá.

Quem sabe, 17 anos depois daquela frustração de 2007, desta vez, com a aprovação na semana passada da ZPE de Bacabeira, o Maranhão poderá reencontrar o caminho do desenvolvimento industrial, com a proposta do governo federal.

Em 2023, a empresária Silvia Carvalho Nascimento e Silva, proprietária da empresa maranhense Aço Verde do Brasil disse, em palestra na Fiema, que a AVB se tornou a primeira usina siderúrgica carbono neutro do mundo. Sem dúvida uma inovação sustentável inspiradora para o país. Em 2021, a mesma empresa foi premiada globalmente em Londres por produzir aço sem utilização de combustível fóssil.

Portanto, não custa torcer que, com tamanho volume de recursos na área industrial, o Maranhão venha desarquivar seus projetos siderúrgicos, já que o da refinaria virou poeira – tudo na esteira do Porto do Itaqui. Afinal, Lula anunciou R$ 130 bilhões para o setor automobilístico e outros R$ 100 bilhões para alavancar o setor siderúrgico. Não custa sonhar d e novo.

PÍLULAS POLÍTICAS 

Juntos e misturados (1)

Bem aqui ao lado, em São José de Ribamar, o prefeito Júlio Matos, ou Dr. Julinho, ex-PL e atual Podemos, está jogando tudo na reeleição. Juntou um grupão de nove partidos que atende a todas as demandas ideológicas, indiferente às divisões de caráter nacional.

Juntos e misturados (2)

Julinho tem a  maioria esmagadora da Câmara atual e para a próxima, despreza filigranas ideológicas, ao reunir o PDT, seu antigo partido; passa pelo PT de Lula e chega até o PL do Josimar do Maranhãozinho. Quer levar para a campanha 200 candidatos a vereador.

Braço forte

A deputado Iracema Vale, que era do PT até 2022 e foi atraída para o PSB por Carlos Brandão, não tem do que se arrepender. Tem percorrido o Maranhão todo, ao lado de Brandão nessa fase preliminar da campanha, para eleger o maior número de prefeitos.

Fissurado

O MDB do Maranhão está rachado ao meio sobre a eleição de São Luís. Enquanto o regional, presidido por Marcus Brandão, apoia Duarte Júnior (PSB), o braço municipal, porém, presidida pelo deputado Cleber Verde, optou pela candidatura à reeleição do prefeito Carlos Braide.

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