Brandão e Orleans na posse de petista no Planalto
Por Raimundo Borges
O jogo da sucessão do governador Carlos Brandão (sem partido) está apenas começando, mas com sinalizações que passam muito além do debate entre brandonistas e dinistas. Ontem, por exemplo, Carlos Brandão e o presidente do MDB estadual, Orleans Brandão, marcaram presença na posse do novo ministro das Relações Institucionais no Palácio do Planalto, José Guimarães (PT), assim como a deputada Iracema Vale e o prefeito de São Mateus, Miltinho Aragão, ambos do PSB. O ato foi presidido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocasião em que a ocupante da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deixou o cargo para concorrer ao Senado pelo estado do Paraná.
Os Brandão foram convidados pelo próprio ministro José Guimarães, que é deputado federal pelo Ceará e era líder do governo na Câmara. Obviamente, ele tomou tal iniciativa depois de receber o aval do presidente Lula. Tanto o secretário de Relações Institucionais quanto Lula são conhecidos pelo pragmatismo extremo que adotam. O fato de o governador e o sobrinho Orleans estarem em solenidade do PT no Palácio do Planalto pode ser analisado como um apoio do PT nacional à candidatura do emedebista ao Palácio dos Leões.
Pode ser também a sinalização de que Lula projeta ter dois palanques no Maranhão, sendo o outro o do petista Felipe Camarão, ou então um recado para que ele desista do projeto de candidatura. Afinal, ele não compareceu ao ato solene, seja por não querer estar presente ao lado dos Brandão, seja por não haver sido convidado. Seja como for, numa campanha presidencial em que a direita já conta com pelo menos três pré-candidatos – Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado –, o presidente Lula sabe que um reduto como o do Maranhão, onde ele sempre teve votação acima de 70%, terá que receber tratamento VIP, como essa ida ao Planalto, seja como for.
Em seu discurso, Guimarães se dirigiu aos presidentes do Senado e da Câmara, presentes no evento, no Palácio do Planalto. “Davi Alcolumbre e Hugo Motta, vocês podem nos ajudar muito a construir as bases para derrotarmos a ultradireita, o fascismo e construirmos cada vez mais a democracia no Brasil.”
Elogiado tanto por Motta quanto por Alcolumbre pela sua habilidade política, Guimarães destacou a importância do diálogo e o papel do Congresso Nacional nas conquistas do governo.
“Não há governo que dê certo sem diálogo com o Congresso Nacional, porque o Congresso faz parte da construção da democracia. Você não constrói a democracia se não tiver diálogo com todos, sem deixar de reconhecer a pluralidade que é o Parlamento.”
Como chefe da pasta das Relações Institucionais, caberá a ele comandar a articulação política do governo, sobretudo com a Câmara e o Senado, mas também com estados, municípios e a sociedade civil.
Entre os principais desafios de Guimarães para os próximos meses estão o avanço na pauta do fim da escala 6×1 de trabalho e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Além disso, trabalhar na articulação política para garantir a aprovação, no Senado, do nome de Jorge Messias, indicado por Lula para ocupar uma vaga como ministro do Supremo Tribunal Federal.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, destacou a boa relação que Guimarães nutre no Congresso. Ele classificou o colega como “um cidadão que sempre se portou com máxima correção ao projeto político que defende” e afirmou que Guimarães tem uma “ótima relação” até mesmo com parlamentares de oposição.
Lula deu posse a Guimarães, mas não discursou no evento. Guimarães é advogado, deputado federal pelo Ceará desde 2007 e atual vice-presidente do Partido dos Trabalhadores. Na liderança do governo na Câmara, assume o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). No dia 23 de abril, os membros da comissão provisória do PT do Maranhão vão se reunir com o presidente nacional da sigla, Edinho Silva. A ideia é definir como fica a situação do PT no estado para as eleições.
Vale lembrar que existem três teses do PT no Maranhão. A primeira é a de candidatura própria ao governo com o vice-governador Felipe Camarão; a segunda, de apoio à pré-candidatura de Orleans Brandão; e, por fim, a de aliança com o pré-candidato Eduardo Braide. Esta é a menos provável de se tornar realidade. Braide se mantém equidistante dos petistas e de outros segmentos da esquerda, em razão de sua política inovadora de provar que eleição se ganha com trabalho e boa presença nas redes sociais.

