15 de maio de 2026
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Cláudio Castro: entenda porque ex-governador do Rio, aliado do clã Bolsonaro, virou alvo da PF no caso Refit

Revista Fórum – Operação Castratio apura contratos de R$ 200 milhões na Secretaria de Agricultura do Rio; elo político recoloca ex-governador no centro de crise que envolve Refit, Ricardo Magro e o bolsonarismo.

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, aliado do clã Bolsonaro e filiado ao PL, voltou ao centro de uma investigação da Polícia Federal após a Operação Castratio mirar contratos de cerca de R$ 200 milhões na Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio, a Seapa, pasta que funcionou dentro da estrutura de seu governo.

A operação foi deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa em contratos firmados entre o governo do Rio e uma empresa privada. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.

Cláudio Castro e a operação da PF

A PF informou que cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em municípios do Rio de Janeiro e de São Paulo. A investigação mira supostas irregularidades em contratos vinculados à Seapa, secretaria comandada por Marcelo Queiroz, hoje deputado federal pelo PSDB do Rio.

A nota oficial da PF não afirma que Cláudio Castro tenha sido alvo direto de mandado. O ponto que coloca o ex-governador no centro do caso é político e administrativo: os contratos investigados foram firmados dentro da máquina estadual durante o período em que o aliado dos Bolsonaro comandava o Palácio Guanabara.

Segundo a PF, os investigados podem responder por organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que possam surgir no decorrer da apuração.

Por que o caso atinge a gestão Cláudio Castro

O caso atinge Cláudio Castro porque a investigação avança sobre uma secretaria estratégica de sua gestão e sobre um aliado que ocupou espaço no governo estadual. Marcelo Queiroz comandou a Seapa no período em que contratos de castração e esterilização de animais passaram a ser investigados pela PF.

A apuração mira a suspeita de direcionamento de contratos e de uso da estrutura pública para favorecer uma empresa privada. O valor sob investigação, de cerca de R$ 200 milhões, transformou o caso em mais um foco de pressão sobre o grupo político que orbitou o governo Castro.

Castro deixou o governo do Rio em março de 2026, em meio a uma crise política e jurídica. Mesmo fora do cargo, o ex-governador segue associado a investigações que alcançam áreas sensíveis da administração estadual e operadores políticos ligados ao bolsonarismo fluminense.

O elo com Refit e Ricardo Magro

O novo desgaste ocorre no mesmo ambiente político em que a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, virou um dos principais símbolos da relação entre poder econômico, combustíveis, lobby e grupos da direita no Rio de Janeiro.

A Refit é controlada por Ricardo Magro, empresário apontado em reportagens da Fórum como um dos maiores devedores contumazes do país. O grupo foi alvo de apurações sobre sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e conexões políticas no setor de combustíveis.

A Fórum mostrou que Cláudio Castro foi acusado de proteger Ricardo Magro, apontado como maior sonegador do Brasil. A acusação foi feita pelo deputado Lindbergh Farias em meio ao debate sobre a atuação do governo fluminense diante da Refit.

Também revelou que Castro esteve em evento da Refit em Nova York ao lado de Hugo Motta e Ciro Nogueira, em agenda que expôs a proximidade do grupo econômico com figuras do Centrão e da extrema direita.

Aliado dos Bolsonaro sob pressão

Cláudio Castro construiu sua trajetória como aliado do bolsonarismo no Rio, estado-base da família Bolsonaro. A nova ofensiva da PF contra contratos de sua gestão amplia o desgaste do ex-governador em um momento no qual o PL tenta reorganizar sua presença no estado.

A pressão também cresce porque a Refit passou a aparecer em diferentes frentes de investigação e de disputa política. O grupo de Ricardo Magro acumula questionamentos sobre dívidas fiscais, atuação no setor de combustíveis e trânsito entre empresários, parlamentares e operadores da direita.

Na prática, a Operação Castratio não isola apenas um contrato da Seapa. Ela reacende a pergunta sobre como a máquina do governo do Rio foi usada durante a gestão Castro e quais grupos privados se beneficiaram de decisões tomadas no Palácio Guanabara.

Entenda mais sobre Refit, Magro e o entorno político

A Fórum já mostrou em detalhes a teia que envolve a Refit, empresa de Ricardo Magro com elo entre Faria Lima, Centrão e crime organizado.

Outro elo político apareceu quando Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro, saiu em defesa de Ricardo Magro e da Refit.

A Fórum também mostrou como Master, Refit e Carbono Oculto expõem o elo entre Faria Lima, Centrão e crime organizado.

O entorno jurídico e político de Ricardo Magro também foi tema de reportagem sobre o filho de Nunes Marques, contratado para defender a Refit.

Outra frente mostrou que o braço direito de Ciro Nogueira no governo Bolsonaro foi alvo de megaoperação que mira a Refit.

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