Eduardo Bolsonaro chama jornalista do Intercept de “associado ao PCC” e ameaça com arma
Revista Fórum – Heloísa Bolsonaro, esposa do ex-deputado cassado e foragido nos EUA, afirma ter ficado “desesperada” quando o jornalista simplesmente bateu em sua porta.
A influenciadora Heloísa Bolsonaro, esposa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, relatou ter ficado desesperada após um repórter do site The Intercept Brasil tocar a campainha da residência da família no Texas, nos Estados Unidos. O episódio, narrado como uma ameaça à segurança da família, mobilizou polícia, patrulhamento no bairro e uma série de acusações sem provas contra o jornalista.
Segundo Heloísa, o repórter se apresentou em inglês, afirmou trabalhar para o Intercept e disse apenas querer confirmar que ela morava no local com a família. Ainda assim, o episódio foi tratado nas redes sociais como uma situação de extremo risco.
“Como você se sentiria sabendo que um parceiro do PCC bateu à sua porta?”, escreveu a influenciadora em publicação no Instagram, sem apresentar qualquer evidência para relacionar o jornalista à facção criminosa.
O relato chamou atenção pelo contraste entre o tom alarmista e a descrição do ocorrido. Heloísa afirmou que havia acabado de sair do banho quando a campainha tocou e que a filha do casal, Georgia, de 5 anos, pensou que fosse o pai chegando em casa.
“Ele se identificou, falando em inglês, como repórter do Intercept e queria apenas confirmar que eu vivia aqui com minha família. Fechei a porta. Ele entrou no carro, ficou mexendo no celular e saiu”, relatou.
Mesmo sem qualquer relato de ameaça, invasão ou agressão, a influenciadora disse ter ficado “tremendo toda” ao observar o jornalista circulando pelo bairro e conversando com vizinhos — procedimento comum em apurações jornalísticas.
“Eu continuei olhando, me tremendo toda. Eis que o vejo novamente, tocando a campainha de todas as casas vizinhas, buscando detalhes sobre nossas vidas e rotinas”, escreveu.
Na sequência, Heloísa informou que acionou a polícia americana, que teria reforçado a vigilância da residência.
“A polícia chegou e prestou um excelente atendimento, disponibilizando viaturas para fazer a ronda de nossa casa, bem como monitorar pelas câmeras do bairro se o repórter irá retornar ou importunar, fotografar ou perturbar nossa privacidade. Felizmente, estamos num país de leis e, nos EUA, importunar famílias em suas casas é crime”, declarou.
Ela também afirmou que o medo da família não está ligado às discussões sobre padrão de vida nos Estados Unidos, mas à possibilidade de exposição do endereço residencial.
“O medo que eu sinto de ter meu endereço exposto não é sobre narrativas que especulam nosso padrão de vida, mas é ter nossa segurança vulnerável”, escreveu.
Apesar de o episódio envolver apenas a visita de um jornalista identificado, Heloísa ainda vinculou o caso à atuação política do marido e do senador Flávio Bolsonaro.
“Sabemos o quão combatente meu marido é contra o sistema e seus asseclas, e quanto o governo do meu cunhado, Flávio Bolsonaro, será duro no combate ao crime organizado”, afirmou.
Eduardo Bolsonaro fala em “stalking” e cita armas em casa
Pouco depois, Eduardo Bolsonaro comentou o caso nas redes sociais e em entrevista à Jovem Pan. O ex-deputado afirmou que correu para casa após receber uma ligação da esposa.
“A esposa com a voz trêmula, tivemos que chamar a polícia. E aí você já imagina como é que fica, né, cara? Eu com duas crianças dentro de casa, a gente sempre pensa no pior. Então botamos a décima marcha no carro, viemos aqui correndo”, disse.
Eduardo afirmou ainda que visitas inesperadas são encaradas de forma diferente no estado americano onde mora.
“As pessoas que batem na porta da sua casa aqui são pessoas convidadas, você está esperando aquela visita, você conhece as pessoas”, declarou.
O ex-deputado citou possíveis crimes previstos na legislação local, embora o próprio relato da família indique que o jornalista apenas tocou a campainha, se identificou e deixou o local.
“Aqui tem um crime de stalking, tem um crime de invasão de propriedade, tem um crime de distúrbio da privacidade. Isso daí não é brincadeira.”
Em outro trecho, Eduardo também ressaltou que moradores do estado possuem armas em casa — fala interpretada nas redes sociais como uma tentativa de intimidação.
Segundo ele, a polícia registrou a ocorrência, recebeu fotografias do jornalista e orientou a família a acionar imediatamente as autoridades caso o repórter retorne ao local.
O episódio ocorre em meio à repercussão das revelações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, bancada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
🚨 GRAVE! O que pretendem pessoas ligadas ao PCC ao invadir minha privacidade e constranger minha esposa e minha filha de apenas 5 anos??? pic.twitter.com/tYKewFa9RE
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) May 23, 2026

