23 de maio de 2026
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Lula cresce, Flávio encolhe, mas o Datafolha arruma um “empate” e Michelle avisa: estou aqui de novo

DCM – Algumas conclusões sobre o Datafolha em que Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro e aumenta a distância no primeiro turno, que sobe de três para nove pontos, com Lula com 40% e o filho ungido com 31%.

No segundo turno, Lula vence Flávio com 47% a 43%. Contra Michelle, Lula venceria com 48% a 43%. O Datafolha conseguiu apresentar um empate entre Flávio e Michelle.

Dez abordagens possíveis sobre os números:

1. A diferença pró-Lula não disparou tanto no Datafolha quanto em outras pesquisas, como a do Atlas/Intel, em que tem 49,9% contra 41,8% de Flávio. No Vox Brasil, no segundo turno Lula tem 46,8% e Flávio, 38,1%. Essas duas pesquisas são dessa semana. O Datafolha conseguiu produzir várias façanhas nas últimas pesquisas, entre as quais, como se vê agora, mais um empate técnico (quatro pontos de diferença) entre Lula e Flávio.

2. O Datafolha traz, com esse estranho ‘empate’ numa hora dessas, o melhor resultado para Lula. O presidente não dispara na frente, mas obtém uma boa vantagem, depois do escândalo de Flávio com Vorcaro. O ruim seria hoje, a cinco meses da eleição, Lula obter uma vantagem muito grande, para ver Flávio ir se recuperando até o pico da campanha.
Uma hipótese. Se o Datafolha viesse com uma vantagem de oito pontos para Lula no segundo turno, e se Flávio recuperasse quatro pontos até agosto, a situação de candidato em ascensão seria a de Flávio. Na política, é tudo que um candidato deseja que aconteça: entrar em ritmo de recuperação a poucos dias da eleição.

Ilustrativa
Foto: Divulgação/Datafolha

3. Lula avançou no contingente de eleitores independentes (mesmo que não tenham aparecido ainda os detalhes da amostragem), o que pode assegurar uma nova base, a partir de agora, e manter a diferença nas próximas pesquisas. Em relação à pesquisa anterior, Lula ganha dois pontos e Flávio perde dois. Como a tendência é de aprofundamento das investigações e dos problemas contra o bolsonarista, é possível que a vantagem obtida agora se mantenha.

4. O Datafolha também conseguiu produzir mais um empate (que é a marca acomodadora do instituto nessas circunstâncias) entre Flávio e Michelle no enfrentamento a Lula. Não há como não desconfiar de uma arrumação. Por que os dois estariam assim tão iguais? Por que não há ao menos um ponto de diferença entre os dois, que conseguem 43% contra Lula? Só Lula aumenta a diferença, de 47%, contra Flávio para 48% contra Michelle.

5. Michelle não aparecia em pesquisas há muito tempo, desde a unção do filho a candidato do pai. O Datafolha mostra que a madrasta ainda é um problema para o enteado. Sempre lembrando que, antes da escolha de Flávio (e quando ele nem aparecia nas pesquisas), o nome mais competitivo do bolsonarismo era sempre Michelle.

6. A pesquisa não enterra Flávio, mas também não diz que ele continuará vivo, até porque Michelle volta a avisar que está por perto. Michelle tem, na comparação com Flávio, um índice de rejeição bem menor, de 31% contra 46%. E Flávio ultrapassa Lula em um ponto. O presidente tem rejeição de 45%.

7. O Datafolha põe Flávio perto da porta do purgatório, quando muitos esperavam que ele já poderia aparecer dentro. Os retratos produzidos pelo Datafolha são sempre adequados ao momento. Está tudo bem arrumadinho. O empate técnico de agora, com quatro pontos de diferença para Lula no segundo turno, não surpreende.

8. Uma pesquisa suspeita, incorreta ou arrumada hoje não significará nada daqui a quatro ou cinco meses. Valerá a pesquisa da véspera da eleição. Então, os institutos podem vir com todo tipo de número e de empate, que não dá nada. Ninguém irá se lembrar do que eles fizeram em maio.

9. Eu chutei e acertei, durante a semana, que o Datafolha viria de novo com essa conversa de empate técnico. Surpresas são para quem ainda se surpreende.

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