Cláudio Castro, ex-governador do Rio, é alvo de ação da PF por transferir R$ 3 bilhões ao Master, de Vorcaro
Revista Fórum – A ação da PF acontece menos de duas semanas após os investigadores cumprirem mandado de busca e apreensão por elo do ex-governador, aliado de Flávio Bolsonaro, com o grupo Refit, de Ricardo Magro.
Alçado ao governo do Rio de Janeiro pelas mãos do clã Bolsonaro, o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) é alvo de nova operação da Polícia Federal, dessa vez em um desdobramento das investigações sobre Daniel Vorcaro e o escândalo do Banco Master. A ação da PF acontece menos de duas semanas após os investigadores cumprirem mandado de busca e apreensão por elo do ex-governador com o grupo Refit, de Ricardo Magro.
Segundo informações da Polícia Federal, Castro teria transferido cerca de R$ 3 bilhões ao grupo Master. O dinheiro teria saído principalmente do caixa da Rioprevidência, o fundo que gere os benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado, e da Cedae, a companhia que produz água para boa parte do RJ.
Na 8ª fase da operação Compliance Zero, a PF cumpre 10 mandados de busca e apreensão no Rio e no Distrito Federal. Os mandados foram expedidos pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
“A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024”, diz a corporação em nota.
Segundo os investigadores, nesta fase apura-se aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco, totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência.
Agentes da PF se dirigiram à casa de Castro, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, nas primeiras horas desta sexta.
São apurados crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.
À Globo, o advogado Carlo Luchione, que faz a defesa de Cláudio Castro, informou que estava indo para a casa do ex-governador para acompanhar as buscas.
Mais informações em instantes
Títulos podres do Master
Informações já reveladas da investigação mostram que Castro havia aportado ao menos R$ 1 bilhão em títulos podres do banco Master em outubro de 2025, em meio às negociatas para compra do Banco de Brasília (BRB), comandado pelo grupo político do aliado Ibaneis Rocha (MDB).
Segundo dados do Tribunal de Contas do Estado, a RioPrevidência, fundo que gere recursos de 235 mil servidores aposentados e pensionistas do Estado, o aporte bilionário foi feito mesmo diante de “situação extremamente duvidosa” e farto “noticiário que dá conta de que este banco oferecia taxas de investimento que são impossíveis de serem aplicadas no mercado”.
A RioPrevidência, em nota no dia 18 de outubro, confirmou que “o valor efetivamente investido [no Master] foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master S.A., e a operação segue regular, adimplente e plenamente enquadrada nos parâmetros legais e prudenciais”.
“Virar pó”
Segundo o TCE, o valor aportado no Master representa 8% do patrimônio do fundo previdenciário do Rio de Janeiro. A denúncia foi feita pelo deputado estadual Luiz Paulo (PSD-RJ).
“O dinheiro do Rioprevidência pode agora virar pó. Como colocam o dinheiro bom de aposentados e pesionistas em um banco de terceira linha, conforme já era classificado pelo Banco Central, e que atuava praticamente em esquema de pirâmide, oferecendo retornos extraordinários e insustentáveis?”, afirmou o parlamentar à Folha de S.Paulo.
Relatora do caso, a conselheira Mariana Montebello Willeman diz que os títulos foram comprados quando o banco se encontrava “numa situação falimentar e que certamente não poderia honrar com os compromissos que vinha assumindo naquela oportunidade”.

