
O PT do MA se move rumo a três palanques da eleição de outubro
Por Raimundo Borges
O Imparcial – O PT é o único partido, dos 32 registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que adota um sistema de ação denominado de “Táticas”, dividido em quatro. Referem-se aos métodos, estratégias de alianças, comunicação e mobilização para alcançar o poder político, aprovar projetos e disputar eleições em qualquer nível de representação. A primeira é a tática de alianças, de frentes amplas, que consiste em unir a base tradicional de esquerda a partidos de centro e centro-esquerda para polarizar eleições e governar.
No Maranhão, onde o PT está sob intervenção branca, com o diretório regional presidido pela militante Patrícia Carlos, a tática que envolve isolar adversários diretos (especialmente os da extrema-direita) e buscar governabilidade por meio de negociações legislativas, modelo francamente adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está sendo aplicada, mas de forma meio enviesada.
O PT estadual vive uma situação política completamente atípica em relação ao projeto de reeleição do presidente Lula. O candidato a governador Felipe Camarão pode chegar à convenção do dia 1º apenas com a senadora Eliziane Gama na disputa ao Senado e com a vaga de vice a ser definida nesse encontro. O coordenador da campanha de Lula no Maranhão, Francimar Melo, ex-presidente regional, tem encontro hoje, 16/07, com Camarão para discutir detalhes da convenção e da campanha geral.
Francimar tem outro encontro nacional, em um primeiro momento on-line, com a coordenação nacional da campanha lulista. Pretende apresentar uma síntese sobre o partido no Estado, onde o presidente tem um histórico de excelentes votações. O seu único deputado federal, Rubens Pereira Júnior, vice-presidente nacional do PT, tem aparecido bem à vontade em encontros de campanha do candidato a governador Eduardo Braide (PSD), cujo partido tem Ronaldo Caiado, candidato de direita, concorrendo ao Planalto contra Lula.
Desse modo, o PT está adotando, de forma atravessada, a tática eleitoral de alianças. Mesmo com candidato a governador, levantamento interno indica que seis dos nove membros da Executiva Regional estão apoiando o candidato Orleans Brandão (MDB) e com o controle de quatro secretarias do governo Carlos Brandão. Um petista influente diz, brincando, que o PT está apenas adotando as “táticas” que fazem parte de sua ação.
Enquanto Rubens Júnior tenta salvar o mandato na Câmara aproximando-se de Braide, que indicou a bolsonarista Elaine Carneiro para vice e o puro-sangue da mesma corrente Lahesio Bonfim para o Senado, junto com o ex-ministro de Lula André Fufuca, o PT segue desfalcado de um nome para o Senado e, até agora, sem vice de Camarão. É o jogo jogado no estilo do carteado feito, passando as cartas por baixo da mesa.
As outras “Táticas do PT” são: Base Social e Movimentos Populares, que visa dialogar com sindicatos e movimentos da sociedade civil, mobilização de rua e ativismo como formas de pressionar o Congresso para legitimar pautas populares. A Tática Ideológica é focada no combate às desigualdades, na defesa de serviços públicos e na ampliação de direitos sociais, na oposição a agendas neoliberais e na defesa da soberania nacional. E a Tática de Organização Interna é a que promove a participação dos filiados nas eleições do partido e a pluralidade ideológica dentro da legenda.

