Quem são os mandachuvas donos das esquisitices na campanha do MA?
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Se todos os onze vereadores de São Luís que disputam mandatos de deputado estadual e federal forem eleitos este ano, a Câmara Municipal terá renovação em mais de um terço do plenário de 31 cadeiras, a partir de fevereiro.
Ao todo, oito deles estão na disputa por mandato na Câmara dos Deputados e três na Assembleia Legislativa, de acordo com a página de Divulgação de Candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O curioso é que, dos 18 deputados federais, apenas Detinha Maranhãozinho desistiu da reeleição para concorrer à Assembleia Legislativa, mesmo tendo sido a campeã de votos em 2022, com 161 mil, para a Câmara.
A esquisitice tem explicação: Josimar do Maranhãozinho, marido de Detinha e mandachuva no PL maranhense, é dono de um formidável reduto eleitoral que elegeu 40 prefeitos em 2024, além de outros que apoiou em partidos distintos.
Com tamanha capilaridade eleitoral sob controle de recursos saídos de emendas, mesmo assim, ele acabou condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março deste ano, a 6,5 anos de prisão por corrupção passiva, tornando-se inelegível, junto com o deputado Pastor Gil. Ainda assim, Josimar tem força política não só para eleger Detinha, como também uma bancada estadual capaz de colocá-la na presidência da Assembleia Legislativa em 2027.
Dessa forma, a campanha eleitoral do Maranhão segue cheia de novidades, algumas delas carregadas de esquisitice. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece no horário político como cabo-eleitoral do candidato Felipe Camarão (PT), do emedebista Orleans Brandão (MDB) e de vários concorrentes à Câmara e à Alema.
Já seu opositor mais próximo, Flávio Bolsonaro (PL), só é citado por uma candidata a deputada federal de Imperatriz, Mariana Carvalho (Republicanos), enquanto o empresário de Açailândia Cidônio Gonçalves, do PL, concorrente ao Senado, prefere exaltar Jair Bolsonaro, que está preso, e não o filho dele, Flávio, candidato a presidente.
Por sua vez, o candidato ao governo, Eduardo Braide, tem no PSD o presidenciável Ronaldo Caiado que, em momento algum, até agora, é citado nos comícios, nas redes sociais e no horário eleitoral. Entre os demais nomes da corrida ao Palácio do Planalto, só Lula está “bombando” no horário eleitoral, enquanto outros seis são ignorados.
Outra situação singular é a do Pastor Gil que, mesmo condenado no STF, registrou sua candidatura à reeleição, o que provocou um pedido de providência do ministro Cristiano Zanin ao TSE. O caso ainda depende de julgamento.
Enquanto isso, pelo menos cinco deputados estaduais estão na briga para tentar quatro anos na Câmara Federal: Iracema Vale (MDB), Othelino Neto (PSB), Fernando Braide (PSD), Fabiana Vilar (PL) e Yglésio Moisés (PRD). Cada qual tem seus próprios trunfos ou o apoio de quem está mais acima.
Iracema Vale tem reduto consolidado e é apoiada por Orleans Brandão, sobrinho de Carlos Brandão; Othelino é forte no jogo e marido da senadora Ana Paula Alves; Fernando Braide segue o irmão Eduardo Braide, candidato a governador; já a família Maranhãozinho tem Fabiana Vilar e Aldir Júnior concorrendo à Câmara, e Josimar Júnior, à Alema.
Dos deputados que tentam trocar a Câmara pelo Senado, Roseana Sarney é emblemática do começo ao fim. Passou seis meses sob especulações de ser ou não ser candidata; disputar a reeleição ou o Senado; e levar o irmão Fernando ou a sobrinha Maria Fernanda na suplência. Acabou optando pelo Senado, sem nenhum Sarney na chapa.
Já André Fufuca, ex-ministro de Lula, deu uma cambalhota. Pulou do palanque de Orleans para o de Eduardo Braide, junto com o bolsonarista Lahesio Bonfim, até então pré-candidato a governador. Braide é primo de Orleans, no estado em que o sarneísmo passou 49 anos no poder, guiado pelo GPS de José Sarney, pai de Roseana e incentivador de sua candidatura.

