Qual o peso de Lula e Flávio na campanha do Maranhão?
Por Raimundo Borges
O Imparcial – A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral do Maranhão é algo insólito tanto na corrida ao Palácio dos Leões quanto ao Senado e à Câmara dos Deputados. Na disputa do governo, Lula aparece na campanha do emedebista Orleans Brandão e na do petista Felipe Camarão.
Indiretamente, ele está também no palanque de Eduardo Braide (PSD), principal adversário de Orleans. Concorrendo ao Senado, o deputado federal André Fufuca (PP) usa à exaustão suas realizações no Ministério dos Esportes, nomeado por Lula, como principal suporte de seu projeto para chegar ao Senado.
O presidente gravou vídeos para a campanha de Eliziane Gama (PT), assim como ao lado do pedetista Weverton Rocha. Não sem motivo, a eleição de senador aparece nas pesquisas tão complicada quanto a de governador. Dos onze concorrentes ao Senado, cinco têm relação política com Lula: Eliziane Gama (PT), Weverton Rocha (PDT), Fufuca (PP), Roseana Sarney (MDB) e Enilton Rodrigues (PSOL).
Como alinhados a Flávio Bolsonaro estão Lahesio Bonfim (Novo), Cidônio Gonçalves (PL) e Hilton Gonçalo (Mobiliza). Apesar de serem conhecidos pelo eleitorado, Lula e Flávio no palanque embaralham ainda mais o jogo do Senado.
Os partidos e coligações costumam recorrer também à estratégia do “voto casado”, em que o eleitor é incentivado a escolher candidatos do mesmo partido e para cargos diferentes, como o de presidente, governador, senador e deputado. Porém, com o país polarizado como agora entre a direita bolsonarista e a esquerda lulista e as pesquisas apontando segundo turno entre Lula e Flávio, o “voto casado” pode não ser um atalho tão vantajoso.
Os próprios candidatos correm o risco de serem engolidos por uma eventual avalanche eleitoral, irrompida da crise institucional e política que sacode os alicerces do STF com o escândalo Vorcaro/Banco Master.
No Maranhão, as pesquisas embaralharam a corrida ao Palácio dos Leões e apontam cenários que não facilitam a tomada de decisão do eleitor, principalmente do indeciso.
Na pré-campanha oficial, Orleans Brandão e Eduardo Braide vinham se revezando na liderança, dentro ou perto da margem de erro. No entanto, as mais recentes pesquisas apontam números disparatados, ora com Braide bem distante, ora com Orleans disparado. Não é diferente a posição duvidosa em relação aos candidatos a senador.
Quando falta um mês para as eleições, é quase impossível imaginar como será o resultado da disputa presidencial e, no caso maranhense, quem vestirá a faixa do poder estadual no dia 1º de janeiro de 2027: se Braide ou Orleans. Assim também não há sinal de uma terceira via saída do pelotão que pontua abaixo de dois dígitos.
É o contrário da eleição presidencial, em que, mais que de repente, aparece o escritor de autoajuda Augusto Cury tentando furar a bolha entre Lula e Flávio. Ele saiu de escassos 2% nas pesquisas para 10%. Diz ter a mente capitalista e um coração social, sem falar em socialismo. Uma enganação para quem não entende nem de capitalismo nem de socialismo. Por isso, pode pegar.
No Maranhão, ainda não se adotou a estratégia do “voto casado” como, por exemplo, no Ceará, com o bordão “Lula Lá, Ciro Cá”, onde o petista Elmano Freitas e o tucano Ciro Gomes polarizam a corrida ao Palácio da Abolição. Mas há uma visão positiva de adotá-la nesses 30 dias de vale-tudo eleitoral.
A prática do voto casado também reflete a tentativa de fidelizar eleitores, transformando afinidade ideológica em força eleitoral, reduzindo o impacto do voto dividido. Atualmente, essa estratégia sobrevive apenas de forma voluntária, no voto de legenda das eleições proporcionais, o que fortalece partidos sem limitar a escolha individual do eleitor.

