19 de setembro de 2026
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Voto feminino pode definir o futuro presidente do Brasil?

Por Raimundo Borges

O Imparcial– Tão grandioso territorialmente (8,5 milhões de km²) e demograficamente (214 milhões de habitantes), o Brasil se aproxima de sua 10ª eleição presidencial sob a democracia pós-ditadura militar, marcado pela divisão não apenas entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu concorrente mais próximo, Flávio Bolsonaro (PL).

Tem separação de voto também por região, raça, condição social e até religião. A mais significativa é a de gênero, além do Sul apoiando o bolsonarismo e o Nordeste, o lulismo. A polarização entre homens e mulheres chegará às urnas com Lula agregando mais elas, enquanto Flávio carrega no sangue o machismo dos Bolsonaro, a partir da relação de aparência com a madrasta Michele.

Vale destacar que o Lula da disputa de 2026 não é o mesmo que se reelegeu em 2006, vinte anos atrás. Tudo mudou no Brasil, o que também dificulta as análises políticas destas eleições comparadas às anteriores. Diz o cientista político Jairo Nicolau, no livro País Dividido, que “o Brasil que elegeu Lula em 2022 não era o mesmo de 2002.

Entender essas transformações não resolve os debates sobre o futuro da democracia brasileira, mas oferece um ponto de partida empiricamente fundamentado para essas discussões”, diz. As pesquisas eleitorais, por seu lado, contradizem nos números qualquer lógica social da campanha.

Nicolau destrincha o que mudou no perfil do eleitorado; quem deixou de comparecer às urnas; as alterações nas bases sociais da votação do PT e da direita ao longo do tempo; o papel da religião (evangélicos); dos valores morais nas disputas; e a evolução da polarização direita-esquerda, que ganhou centralidade no processo político.

Portanto, é preciso frisar que tais dados não sinalizam uma mera alteração demográfica da população, que envelheceu, se converteu, se tornou mais escolarizada e mais feminina em todos os sentidos. Trata-se de um movimento com desdobramentos significativos no campo político-eleitoral.

Uma das características mais importantes da composição do eleitorado em 2026 é o número expressivo de eleitoras, que desempatam em favor de Lula. Segundo dados do TSE, em julho deste ano, as mulheres somam 52,84% do total de votantes, mesmo com baixa representação entre os eleitos. De fato, em 2000, elas já eram maioria, mas a vantagem só aumentou.

Na prática, isso representa 9 milhões de eleitoras a mais que os homens. Em 2026, eles são só 47,16% do eleitorado, diferença próxima à população do Ceará, de 9,27 milhões. Em 2025, as mulheres acima de 26 anos com diploma universitário somavam 21,3%, contra 16,8% dos homens na mesma faixa etária.

Desde 1945, com o Ibope, pesquisadores eleitorais se ocupam de encontrar correlações entre as características socioeconômicas dos eleitores e seus padrões de votação. Portanto, sabe-se há bastante tempo que mudanças na composição de um contingente eleitoral impactam diretamente as preferências na urna e, consequentemente, a atuação das candidaturas para atrair os gêneros eleitorais e as regiões.

Hoje, Lula procura amiudar sua presença em Minas Gerais e no Sul, tentando reduzir a diferença de Flávio, e este, por seu lado, dedica mais tempo ao Nordeste, reduto tradicional do petista.

Na reta final da campanha, Lula e Flávio travam a batalha dos sexos pelo voto. O Quaest apontou na semana passada que, no 1º turno, a vantagem de Lula para Flávio sofreu uma pequena baixa no eleitorado feminino. Agora, o placar está em 37 x 29.

O Datafolha mostra Lula com vantagem sobre Flávio entre os eleitores pretos, católicos e de renda familiar de até dois salários mínimos, o equivalente a R$ 3.242,00. Flávio lidera entre evangélicos e brancos nas faixas de renda acima de dois salários mínimos. Para arrematar, na BTG Pactual/Nexus, do dia 14/9, Lula tinha 53% das intenções de votos femininos, contra 40% do primogênito de Bolsonaro. Quem vai acertar nessa jogada?

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